Catálogo da BE

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Clube de Histórias: Projeto Abrir Portas ao Sonho e à Reflexão.

Violeta

 
Aqueles dois nem sequer reparam que Klaus abrira a porta da sala.
Então é aqui que está Niki, escondida atrás de umas costas altas e de uns braços compridos e verdes!
— O namorado da nossa filha tem uns braços de aranha! — costuma dizer o pai. E também diz: — Há três meses que traz vestida a mesmíssima camisola verde! Se calhar só a tira quando ela se desfizer!
— Deixa a Niki em paz — a mãe tenta acalmá-lo. — Tu não percebes! A Niki está apaixonada. O Bruno não tem de te agradar!
— Agradar!?! Deixa-me rir. Até fico cheio de comichão de cada vez que o vejo. Alto como a Torre Eiffel e magro como um esparguete! E é de uma coisa assim que a minha filha gosta? De um Bruuuno!!
“Será que o pai iria gostar mais da Violeta?”, pensa Klaus, à porta da sala.
Ele não se atreve a entrar e ir à prateleira buscar o livro sobre aviões, pelo menos enquanto os dois estiverem enrolados um no outro. Verde-aranha com pintas cor-de-‑laranja. As pintas cor-de-laranja são da t-shirt da Niki.
Porque é que Klaus tem de pensar agora mesmo na Violeta? E porque é que fica com o coração aos pulos? Aquilo ali, no sofá, à frente dele, não tem nada a ver com ele e com Violeta. Ou será que tem? Klaus ainda não beijou Violeta. Beijou, sim. Uma vez num jogo. Como multa, Klaus tinha de dar três beijos na cara de alguém. Claro que não foi escolher o Pedro ou o Martim e muito menos a Helga. Foi a Violeta quem recebeu os três beijinhos minúsculos. E logo de seguida, ficaram os dois vermelhos que nem tomates. Toda a gente se riu!
— O Klaus está apaixonado pela Violeta! — gritaram.
Deixá-los rir!
Estar apaixonado não tem graça nenhuma. É bonito, mas não é engraçado, pensa Klaus, porque Violeta se ofende muito depressa. E quando ela olha para ele só de relance, durante as aulas e depois no intervalo também… até dói! De cada vez que ele olha para Violeta e ela desvia o olhar, Klaus sente uma pontada lá no fundo… Mas agora, há já algum tempo que andam os dois bem, e Klaus tenta não fazer nenhuma asneira que possa zangar Violeta.
Klaus queria ir buscar o livro. Niki e Bruno ainda não repararam nele. Estão abraçados um ao outro e baloiçam-se levemente de um lado para o outro como se se tentassem adormecer mutuamente. Têm os olhos fechados. Estão em silêncio.
“Se calhar”, pensa Klaus, “quando se está mesmo apaixonado não se deve falar. O não falar significa precisamente gosto de ti.”
A dado momento, Niki abre os olhos mas só vê o seu Bruno. Não vê Klaus à porta.
A irmã e o namorado olham-se nos olhos, em silêncio. Continuam a não falar. “Hmm”, pensa Klaus, “eu e a Violeta também fazemos isso. Por acaso, este também é o nosso jogo. Olhamo-nos nos olhos muito tempo e tentamos adivinhar a cor dos olhos do outro porque ela muda ligeiramente todos os dias. Se há sol, se chove, se está claro ou escuro. Se é de manhã, ao meio-dia ou à tarde.”
Violeta acha que Klaus tem os olhos castanhos. Cor de café com leite. Klaus diz que tem olhos pretos. Como café sem leite.
— E os teus são azuis — diz depois Klaus. — Como a minha caneta.
— Não! Não gosto dessa comparação! — Violeta faz uma cara de ofendida e fulmina Klaus com o olhar. — Diz uma coisa mais bonita!
— Azul como o lago de Constança. — Klaus já lá tomou banho.
Violeta fica satisfeita com o lago, mesmo não o conhecendo. O azul de um lago é bonito.
— Como estes dois demoram! — suspira Klaus, apoiando-se na outra perna.
Então, quando se está apaixonado é assim… Agarramo-nos bem. Balançamo-nos de um lado para o outro. Fechamos os olhos por muito tempo. E, depois, abre-se os olhos mas não se pode olhar para mais lado nenhum a não ser para a pessoa que está à frente. A mão esquerda de Bruno percorre suavemente a mão direita de Niki, sobe pelo braço e volta a descer devagar. Também durante muito tempo.
Violeta iria achar isto estúpido. E Klaus, para falar a verdade, também. Já não aguenta muito mais tempo na soleira da porta. Klaus não gosta de ficar a olhar para namorados. Envergonha-se um pouco, mas não sabe bem porquê. Está um tanto agitado, mas não sabe muito bem porquê.
Vira as costas aos dois, mas choca contra a porta. Bum!
— Olha lá, miúdo, tu por acaso andas a espionar-nos?! — ouve-se a voz arranhada de Bruno.
— Há quanto tempo estás aí? — pergunta Niki, sentindo-se atingida.
Klaus encolhe os ombros. Será que deve dizer: “Há uma eternidade”?
— Já posso ir buscar o meu livro?
— Pensei que o teu irmão não estivesse cá hoje!
Bruno levanta-se.
— Da próxima vez que pensares que ele não está em casa, no teu lugar eu ia ver primeiro se, por acaso, não estará metido nalguma gaveta!
A voz de Bruno soa bastante desagradável. Niki também se levanta e segura o namorado pelo braço mas Bruno solta-se.
— Não me sinto bem aqui! — diz. — Tchau!
E vai embora. Nem sequer se torna a virar para Niki. Já não a olha mais nos olhos. Nem muito, nem pouco. Absolutamente nada.
Com Violeta é muito mais bonito. Eles acenam sempre com a mão um ao outro quando vão para casa, depois da escola, e se separam na paragem do elétrico. Pelo menos, nos dias em que Violeta não tenta olhar de relance para Klaus.
Depois, Violeta sorri.
Um sorriso muito amoroso e Klaus consegue ver-lhe os olhos, mesmo que já esteja muito escuro. Brilham, azuis como o lago de Constança. Continuam a brilhar mesmo quando Klaus já está do outro lado da rua, e ele até consegue sentir‑lhes ainda o brilho, muito depois de ter dobrado a esquina.

Evelyne Stein-Fischer
13 Geschichten vom Liebhaben
München, DTV Junior, 1990
(Tradução e adaptação)

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Caros leitores,

O Projecto intitulado Clube de Contadores de Histórias, nascido em 2006 na Escola Secundária Daniel Faria – Baltar, tem vindo, ao longo dos anos, a difundir-se de uma forma significativa, não só em Portugal, mas também no Brasil e nos países africanos de língua portuguesa. No sentido de assegurar a continuidade de referido clube, foi constituída uma equipa pedagógica, formada por professores de vários grupos disciplinares e provenientes de diversos estabelecimentos de ensino, que tomarão a seu cargo a selecção, preparação e envio de uma história semanal por correio electrónico, tal como habitualmente tem vindo a ser feito.

Esperando que o projecto continue a merecer a melhor atenção por parte do público leitor, despede-se com os melhores cumprimentos,


A Equipa Coordenadora do Clube das Histórias

ac@contadoresdehistorias.com

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Livro do mês.

O Grito da Gaivota, de Emmanuelle Laborit.

A Biblioteca Escolar também é um mundo de fantasia e sonho! Os livros transportam-te para esse mundo único, onde a tua imaginação voa em cada página que folheias! Este mês de fevereiro, apresentamos-te o livro O Grito da Gaivota. Descobre a sua fantástica história e deixa aqui o teu comentário acerca da leitura deste livro.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Divulgação das atividades lúdico-pedagógicas para as Escolas: Casa dos Nichos - Núcleo Museológico de Arquiologia

Na Biblioteca da Escola Sede encontra-se um pequeno dossiê, da responsabilidade do Núcleo Museológico de Arquiologia de Viana do Castelo, onde constam as atividades lúdico-pedagógicas desenvolvidas durante o ano de 2012 pela Casa dos Nichos - Núcleo Museológico de Arquiologia - sito na Rua de Viana. As referidas atividades destinam-se aos alunos dos 6 aos 14 anos.
As marcações deverão ser efetuadas com 15 dias de antecedência através do telefone 258809359 ou do correio eletrónico casadosnichos@cm-viana-castelo.pt

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A Biblioteca Nacional lança edições em eBook.

Uma notícia que pode agradar a alguns:
A Biblioteca Nacional lança edições em eBook. Existe a possibilidade de aquisição ou de empréstimo. Podem ler informação no blogue: http://lerebooks.wordpress.com/2012/01/25/biblioteca-nacional-de-portugal-lanca-edicoes-em-ebook/

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

RICHARD ZIMLER NA BIBLIOTECA ESCOLAR

No dia 13 de Fevereiro, pelas 10:15horas, na Biblioteca Escolar, teremos entre nós o escritor RICHARD ZIMLER, para:


- ARESENTAÇÃO DA OBRA HUGO E EU E AS MANGAS DE MARTE.



ATIVIDADE DE PROMOÇÃO DO LIVRO E DA LEITURA

2.º CICLO

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Adivinha do dia.


Qual é neste mundo o ser, que não faz senão comer?

História do Dia.

Boneco de Neve

Por António Torrado / Cristina Malaquias



Estava um boneco de neve, na Serra da Estrela, à espera nem ele sabia do quê.
Sair donde estava não podia, porque não lhe tinham feito as pernas. E tanto que gostava de conhecer outras paisagens, conquistar mais espaço, alongar a sombra?
Só se rebolasse. Deu um jeito ao corpo e descolou de um lado. Deu mais um jeito e descolou do outro. Balançou.
Com um novo impulso, rebolou encosta abaixo.
- Deixem passar! Deixem passar! - gritava o boneco para os esquiadores que, penosamente, vinham a subir.
Se calhasse ir de encontro a um, derrubava-o. Até podia aleijá-lo.
- Quero lá saber! - gritava o boneco, cada vez mais forte, cada vez maior, cada vez mais cheio de si. Um brutamontes.
Já não era um boneco, mas uma bola de neve. Dantes, tão simpático. Agora tão arrogante.
- Uma avalanche! - gritaram, no vale. - Vem aí uma avalanche de neve!
De roldão por ali abaixo, destruindo tudo por onde passava, a bola de neve era uma ameaça. Vá lá que acabou desfeita de encontro a um paredão.
- Passou o perigo - suspiraram de alívio as pessoas, que andavam a brincar na neve.
Algumas entretinham-se a fazer bonecos de neve.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Clube das Histórias Projecto: Abrir as portas ao sonho e à reflexão

A Caixa da Liberdade


Em meados do século XIX, havia quatro milhões de escravos nos Estados Unidos. Os escravos eram propriedade dos donos, como se fossem mesas, vacas, ou carroças. Os historiadores pensam que entre 60.000 e 100.00 escravos recuperaram a liberdade através do Caminho-de-Ferro Clandestino.O Caminho-de-Ferro Clandestino não era um verdadeiro caminho-de-ferro. Era um conjunto de rotas que os escravos seguiam quando fugiam para Norte. Escondiam-se em carroças, andavam a cavalo, caminhavam centenas de quilómetros através de florestas e pântanos, atravessavam rios caudalosos no Verão e superfícies geladas no Inverno. Eram ajudados por “chefes de estação” e “cobradores” que os escondiam e auxiliavam ao longo da fuga.Quando Henry Brown entrou na sua “Caixa da Liberdade”, acreditava que esta o transportaria para um mundo seguro. Levou com ele uma ferramenta para abrir buracos na caixa para respirar, um pouco de água e alguns biscoitos. Quando chegou a Filadélfia, vindo de Richmond, na Virgínia, tinha percorrido uma distância de 560 quilómetros em 27 horas.A sua história foi objeto de notícia na América e na Europa. Henry nunca encontrou a mulher e os filhos. Em 1850 foi para Inglaterra e há quem diga que voltou a casar. Mas o que é certo é que Henry “Box”[1] Brown se tornou um dos fugitivos mais célebres do Caminho-de-Ferro Clandestino – o homem que “encomendou” a sua liberdade. ▲▲▲▲▲ Henry Brown não sabia a idade. Era um escravo, e os escravos não podiam saber quando faziam anos. Trabalhava, juntamente com os seus irmãos e irmãs, na casa grande da plantação, onde vivia o dono. Este sempre fora bondoso para com eles. Mas a mãe de Henry sabia que esta situação podia mudar. Um dia, comentou com o filho:― Vês aquelas folhas a esvoaçar? Foram arrancadas das árvores, tal como os filhos dos escravos são arrancados às suas famílias.E uma bela manhã, o patrão mandou chamar Henry e a mãe. Ambos subiram a escadaria larga que conduzia ao quarto. O dono estava na cama e só a sua cabeça emergia do edredão. Estava muito doente e pediu-lhes que se aproximassem. Como alguns escravos estavam a ser libertados pelos donos, o coração de Henry bateu com força. Talvez o dono o fosse libertar. Porém, o patrão disse:― Tens sido um bom trabalhador, Henry. Vou dar-te ao meu filho. Deves obedecer-lhe e nunca contar mentiras.Henry acenou com a cabeça, mas não agradeceu. Agradecer seria mentir. Na tarde desse mesmo dia, Henry viu um pássaro voar bem alto para longe das árvores. “Um pássaro livre! Um pássaro feliz!”, pensou. Depois, despediu-se da família. Quando olhou para os campos, as folhas rodopiavam ao vento. O rapaz foi trabalhar para a fábrica do novo patrão e trabalhava bem. Mas isso não o impedia de gritar com ele, e de o ameaçar com um bastão:― Não rasgues essa folha de tabaco!Se os escravos cometessem algum erro, o patrão batia-lhes. Henry sentia-se só. Mas, um dia, conheceu Nancy, que andava às compras para a patroa. Puseram-se a conversar, enquanto caminhavam juntos, e concordaram em voltar a encontrar-‑se. O rapaz tinha agora vontade de cantar, embora os escravos não se atrevessem a cantar na rua. Em vez disso, trauteou disfarçadamente a caminho de casa. Meses mais tarde, Henry pediu a Nancy que se casasse com ele. Depois de os patrões de ambos concordarem, os jovens casaram-se. Em breve nasceu um filho, e depois outro, e logo outro. Henry sabia que tinham sorte em viverem juntos, apesar de terem patrões diferentes. Mas Nancy preocupava-se, porque o seu dono tinha perdido muito dinheiro. Um dia confessou ao marido:― Temo que ele venda os nossos filhos. Henry ficou muito calado. Nessa manhã trabalhou arduamente, tentando esquecer o que a mulher lhe dissera. Mas, de repente, o seu amigo James entrou na fábrica e sussurrou-lhe:― A tua mulher e os teus filhos acabam de ser vendidos no mercado de escravos.― Não! ― gritou Henry.De repente, não conseguia mexer-se, nem pensar, nem trabalhar. ― Mexe esse tabaco! ― gritou o patrão, empurrando-o com o bastão. Enquanto mexia as folhas de tabaco, o seu coração remexia no peito. À hora de almoço, foi ao centro da cidade. Viu um grupo de escravos atados uns aos outros e o novo dono a gritar com eles. Henry procurou a família.― Pai! Pai! ― ouviu chamar.Foi então que viu os filhos desaparecerem ao longe na rua. Onde estaria Nancy? Viram-‑se ao mesmo tempo, mas era tarde demais. Depois de limpar as lágrimas, Henry deu-se conta de que também ela desaparecera. Henry deixou de cantar e até de trautear. Ia trabalhar e, à noite, comia e ia para a cama. Tentou lembrar-se dos tempos felizes que passara, mas só conseguia ver as carroças a transportarem para longe todas as pessoas que amava. Sabia que não voltaria a ver a família. Passaram-se muitas semanas. Certa manhã, Henry ouviu um pequeno pássaro cantar e viu-o voar em direção ao céu. E pensou que podia ser livre. Mas como? Quando pegou numa caixa de madeira, soube a resposta. Pediu a James e ao Dr. Smith para o ajudarem. O Dr. Smith era um branco que pensava que a escravatura estava errada. Encontram-se num armazém vazio no dia seguinte, pela manhã. Henry transportava uma caixa. ― Irei como encomenda para um lugar onde não haja escravos! ― anunciou.James olhou para a caixa e depois para Henry.― E se tossires e alguém te ouvir?― Taparei a boca e terei esperança ― respondeu Henry.O Dr. Smith escreveu na tampa da caixa: Para: William H. JohnsonArch Street Filadélfia, Pensilvânia. Henry seria entregue a amigos na Pensilvânia. O médico também escreveu na caixa, em maiúsculas: ESTE LADO PARA CIMA.TRATAR COM CUIDADO. Henry precisava de uma desculpa para ficar em casa, ou o patrão pensaria que ele tinha fugido. James lembrou-lhe o dedo magoado. Mas o amigo sabia que não era desculpa suficiente. Abriu, então, uma garrafa de ácido.― Não! ― gritou James.Henry deitou o ácido na mão e sentiu que a queimadura penetrava nos ossos. Agora o patrão deixá-lo-ia ficar em casa! O Dr. Smith pôs-lhe uma ligadura e concordaram em encontrar-se na manhã seguinte, às quatro horas. Ainda o sol não se erguera, e já Henry se enfiava na caixa.― Estou pronto! ― anunciou. James pregou a tampa da caixa e, juntamente com o Dr. Smith, levou-a para a estação. O empregado do caminho-de-ferro virou a caixa e pregou um papel no fundo. O médico pediu aos carregadores que tivessem cuidado, mas ninguém lhe prestou atenção e atiraram a caixa para o vagão das mercadorias. Passaram-se horas, durante as quais Henry foi novamente levantado e atirado, ficando de cabeça para baixo. Ouviu ondas a bater. Devia estar a bordo do navio que ia para Washington, D.C. O barco navegava devagar, mas o escravo ainda estava virado ao contrário. O sangue subiu-lhe à cabeça, as faces ficaram afogueadas, os olhos doíam-lhe, e pensou mesmo que a cabeça ia rebentar. Mas nem se atrevia a mexer, com medo de que alguém pudesse ouvi-‑lo. ― Estou cansado de estar de pé! ― disse uma voz.― Porque não nos sentamos nesta caixa? ― sugeriu uma outra.Henry nem conseguia respirar. Será que estavam a falar da sua caixa? Sentiu-se empurrado. A caixa raspou o convés do navio. Viraram-no para o lado direito e para o esquerdo. De repente, sentiu-se virado para cima.― O que pensas que está aqui dentro? ― perguntou um dos homens.― Correio, acho ― respondeu o outro.“Sou correio, sou, mas não do tipo que imaginam”, pensou Henry. Quando a viagem terminou, a caixa foi levada para fora do navio e colocada numa carruagem de comboio. Desta vez, seguiram as instruções. Henry adormeceu ao som das rodas do comboio. Acordou com uma pancada forte. ― Henry, estás bem? ― perguntou uma voz.― Estou ― respondeu.  A tampa foi levantada. O escravo estirou os braços, levantou-se e deparou com o sorriso de quatro homens. ― Bem-vindo a Filadélfia!Henry sabia agora que fazia anos a 30 de Março de 1849, o seu primeiro dia de liberdade. A partir desse dia, também ganhou outro nome: todos passaram a chamar-lhe Henry “Box” Brown. Ellen Levine; Kadir NelsonHenry’s freedom box – A true story from the Underground RailroadNew York, Scholastic, 2007(Tradução e adaptação)

Semana SeguraNet.

No dia 7 de fevereiro de 2012, comemora-se o Dia da Internet Segura. Para que este dia seja assinalado na comunidade escolar, convidamos todas as escolas a dinamizarem atividades sobre as temáticas relacionadas com a Segurança na Internet, na segunda semana do mês de Fevereiro de 2012.
Vamos envolver a escola! Esta é a oportunidade perfeita para introduzir, ou reforçar, o tema da Segurança na Internet entre os alunos, professores, funcionários, encarregados de educação e pais, bem como consolidar os conceitos que, eventualmente, terão sido, ou virão a ser, abordados na sala de aula. Este ano o tema do SID é “Aproximar Gerações” e o slogan "descobrir o mundo digital em conjunto... com segurança!" pelo que se apela às escolas que desenvolvam atividades que abranjam o maior número possível de participantes de diferentes gerações, em interação.
Convidamos a comunidade escolar de todas as escolas públicas e privadas, da educação pré-escolar ao ensino secundário, de Portugal continental e das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores, a juntarem-se a esta iniciativa.
Convidamos as escolas/agrupamentos que integram a rede Rádio e Televisões Escolares na Net [RTEN] para que celebrem a semana com a passagem de spots alusivos e promotores da segurança [apenas som ou se possível, imagem e som]. Disponibilizamos para esse fim o “Minuto Seguro” em duas versões, em vídeo e somente áudio [mp3]. As escolas poderão ainda fazer reportagens, entrevistas, notícias, produzir e gravar peças de teatro, etc.
Para apoiar as escolas no desenvolvimento de atividades próprias na semana de 6 a 10 de Fevereiro de 2012, disponibilizamos Sugestões de Atividades e Recursos de Apoio.
Para podermos dar a merecida visibilidade à iniciativa própria de cada escola/agrupamento, solicitamos que procedam ao respetivo registo, clicando em Formulário de Registo.




Adivinha do Dia.

Dois irmãos com o mesmo nome, vão marchando com afinco, mas um dá sessenta passos, enquanto o outro dá cinco. O que é?

História do Dia.

Três Cavalos


Por António / Torrado Cristina Malaquias




Três cavalos encontraram-se numa cavalariça. Um era castanho, outro era branco e o terceiro era quase amarelo.
- Que cor tão ridícula a tua - riram-se o cavalo branco e o castanho.
- Não sei porquê. Tenho quatro patas como vocês têm. Pescoço e peito musculosos como vocês têm. Crinas como vocês têm. E relincho como vocês.
Isto relinchou o cavalo quase amarelo. Os outros dois cavalos continuaram a rir-se dele. Passaram a noite numa grande troça. O cavalo quase amarelo, para não ouvir-lhes a risota de zombaria, fez-se mula. Isto é: não lhes ligou. Fechou os olhos e adormeceu.
No dia seguinte, vieram buscá-los. Os três cavalos iam participar numa corrida.
- Partida! - gritou um senhor, levantando uma bandeirinha.
Os três cavalos desataram a correr. Ia o castanho à frente. Depois, o branco ultrapassou-o. Por fim, o cavalo quase amarelo avançou para a meta, deixando para trás o branco e o castanho. Ganhou ele a corrida.
Os outros dois cavalos é que não acharam graça nenhuma. Paciência. Já tinham rido tanto...





terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Adivinha do Dia.


Sou mais vasto do que o mar e ninguém me pode ver; Todo o mundo é meu lar, sem mim não podes viver.

História do Dia.

Os Anjos-da-Guarda


Por António Torrado / Cristina Malaquias



Um vagabundo resolveu arranjar casa.
- Chega de dormir ao relento e de andar por aí, a vadiar, sem eira nem beira - disse o vagabundo. - Vou fazer uma casa só para mim.
Escolheu um sítio recatado, numa terra de ninguém, e lançou-se ao trabalho. No primeiro dia, desbastou o terreno e alisou-o. Depois, foi à vida.
Este vagabundo chamava-se Joanete.
Por coincidência, outro vagabundo também pensou que já estava em tempo de ter uma casa. Para poder levar a sua avante, tinha de procurar onde construí-la. Deu com o terreno, alisado pelo vagabundo Joanete, e disse:
- Aqui é que me calha. Está limpo e pronto para a construção. Agora é só cavar as fundações e arranjar uns troncos grossos, que segurem as paredes.
- Foi o que fez. Depois, foi à vida.
- Este vagabundo chamava-se Pé-leve.
Quando o primeiro vagabundo, o Joanete, regressou ao trabalho e viu os buracos feitos e os troncos alinhados, ficou, como é de imaginar, muito contente.
- Anda um anjo a ajudar-me - pensou.
Aplicou os troncos e foi cortar madeira para as paredes. Depois, como não tinha pregos para pregá-las, foi comprá-los.
O Pé-leve, quando chegou e viu os troncos enterrados nos buracos e a madeira empilhada, pensou:
- Tenho um anjo ao meu serviço.
E foi comprar pregos.
Entretanto, regressou o Joanete. Pregou a madeira e levantou as paredes.
O telhado deixou para depois. Foi dar um passeio.
Quando o Pé-leve voltou e viu as paredes prontas, disse:
- Tenho de ajudar o meu anjo da guarda.
E levantou o telhado. Depois foi procurar de comer.
O Joanete, acabado o passeio, vendo o telhado pronto, disse:
- O meu anjo é um portento. Só falta o soalho e uns móveis.
Foi no que se aplicou. Assoalhada a casa e mobilada, no seu essencial, só faltava habitá-la. Estava uma lindeza. Uma porta, duas janelas, uma chaminé. Que mais queria?
E o vagabundo Joanete, encantado com a sua obra, ajoelhou-se e, de mãos postas, agradeceu a mãozinha ajudadeira do seu anjo da guarda.
Mas uma voz indignada interrompeu-lhe a oração:
- Que pouca vergonha é esta? Quem o mandou entrar na minha casa?
Era o Pé-leve.
Levantou-se o Joanete e fez-lhe frente:
- A sua casa? Com que direito? Ainda agora a assoalhei e mobilei.
- Então e eu que levantei o telhado? - repontou o Pé-leve.
- Então e eu que levantei as paredes? - retorquiu o Joanete.
- E eu que cavei as fundações?
- E eu que alisei o terreno?
Pararam de altercar. Olharam um para o outro, ambos de boca aberta.
- Tu é que eras o meu anjo da guarda? - apontou o Joanete para o Pé-leve.
- O meu anjo da guarda eras tu? - apontou o Pé-leve para o Joanete.
Caíram nos braços um do outro.
E ficaram a viver juntos.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

2.º Prémio Escolar António M. Couto Viana

Em homenagem à vida e à obra do escritor vianense António Manuel Couto Viana (escritor, autor de literatura infantil, poeta, ensaísta, tradutor e dramaturgo), a Câmara Municipal de Viana do Castelo criou o Prémio António Manuel Couto Viana com o objectivo de dar a conhecer a obra literária do autor e de premiar produções literárias e artísticas da população estudantil Infanto-Juvenil da comunidade escolar vianense, sob as modalidades de poesia, de conto, de ensaio e de ilustração. Desta forma, o Prémio pretende incentivar e promover novos talentos literários e artísticos, estimulando o gosto pela leitura, pela escrita e pela arte como formas de acesso à educação e à cultura.
A atribuição do Prémio António Manuel Couto Viana ocorre no âmbito da realização de um concurso, organizado pelo Município de Viana do Castelo, através da Biblioteca Municipal, em parceria com as Bibliotecas Escolares dos estabelecimentos de ensino público e privado do concelho, cujo regulamento a seguir se apresenta:

Concurso Cherub

No dia 17, pelas 13 horas e 25 minutos, teremos, na Biblioteca da escola sede, um representante da Porto Editora para proceder à entrega dos prémios a todos os participantes neste concurso.

Adivinha do Dia.


Qual é coisa, qual é ela, que tem uma perna mais comprida que a outra e noite e dia anda sem parar?

Histótria do Dia.

Ninguém é sempre perfeito

Por António Torrado/Cristina Malaquias



No tempo em que ainda não havia luz eléctrica, mas pouco faltava, quem quisesse trabalhar ou ler depois do Sol posto alumiava-se com candeeiros de petróleo. Os mais pobres, sem dinheiro para o petróleo, usavam velas de sebo.
Era o caso do poeta da nossa história. Estava ele, à noite, a escrever uns versos, iluminado apenas pela luz do luar e pela chama incerta de uma velinha a finar-se, quando uma nuvem interceptou a luz da Lua.
- Ai! - lamentou-se o poeta. - Não tarda que a vela acabe. Como vou eu conseguir terminar o poema?
Abriu a janela e gritou:
- Vento, se és meu amigo, afasta a nuvem, para que o luar volte a iluminar-me.
O vento terá ouvido o pedido e rodopiou numa súbita ventania. Tanta foi que soprou a vela do poeta. Ficou o pobre às escuras.
- Vento, tu não percebeste o que te pedi - irritou-se o poeta. - És um desastrado.
Do céu carregado de nuvens começou a cair uma valente chuvada.
- Pronto. Não precisas de chorar. Ninguém é sempre perfeito - disse o poeta ao vento.
Fechou a janela e, resignado, foi para a cama às apalpadelas. Ficou o poema em meio. Não se perdia grande coisa, que o poema valia pouco. Ninguém é sempre perfeito...




domingo, 15 de janeiro de 2012

Adivinha do Dia.

Tenho uma casa com doze damas, cada uma tem três quartos, todas têm meias e nenhuma tem sapatos.

História do Dia.

Tum-tum, Tum-tum, Tum-tum?

Por António Torrado | Cristina Malaquias



A galinha tinha ido fazer um piquenique ao pinhal, na companhia dos filhos.
Estavam eles já à volta do bolo, quando lhes apareceu um raposo raposão.
- Ora viva a bela merenda - cumprimentou o raposo.
- Quer do nosso bolo? - perguntou a galinha, a medo.
- Quero o bolo e o acompanhamento - respondeu o raposo.
O que ele queria dizer a galinha percebeu, mas fez-se de tola:
- É só o que tenho. O resto já comemos, senhor raposo.
Ele não quis saber. Em duas dentadas deu conta do bolo todo.
- Agora, venham os pintos - disse, ainda de boca cheia.
- Os pintos, senhor raposo, não prestam para o seu apetite. São só penas e ossos. Se quer coisa de mais substância, talvez eu lhe sirva?
Pela salvação dos filhos as mães dão tudo.
O raposo estava pelos ajustes. Deixou os pintos em paz, que fugiram atarantados, e ficou com a galinha.
Meteu-a num saco, que trazia às costas, dizendo:
- Hoje tenho visitas, lá em casa, e uma galinha dá sempre jeito, ao jantar.
A pobre da galinha, aos tombos, dentro do saco, matutava na sua infelicidade.
Os filhos, tão miudinhos, que iam ficar órfãos? Ela, tão nova ainda, a servir de petisco a raposas e raposões?
- Mas há-de haver uma saída - pensou a galinha, que não era de esmorecer.
Com o bico foi descosendo uma costura do saco. O coração batia-lhe, tum-tum, tum-tum, tum-tum, num sobressalto de tambor.
Para sorte dela, o raposo resolveu descansar, a meio do caminho. Estava calor e ele refastelou-se, à sombra de um sobreiro.
Quando o sentiu a dormir, a galinha escapou-se. Mas, à cautela, meteu uma grande pedra no saco e, com artes de costureira, voltou a coser a costura.
Depois, fugiu, ao encontro dos filhos.
Quase logo a seguir, o raposo acordou, cheio de fome, como sempre:
- Se não fosse ter visitas, começava o jantar mais cedo?
Para tirar daí a ideia, pôs-se a caminho. O saco pesava-lhe e ele contente:
- Está gorda esta galinha. Vai dar uma rica jantarada!
Raposos, raposas e raposecos esperavam-no.
- Trago a galinha mais gorda da capoeira. Ponham água a ferver ao lume, que quero cozê-la com arroz. Come-se primeiro a canja e, depois, a galinha.
Quando a água do panelão estava a ferver, o raposo foi buscar o saco. Raposos, raposas e raposecos puseram-se à roda do lume, para apreciar a qualidade do pitéu.
Abriu-se o saco e o pedregulho, ao cair na panela, esparramou água à volta, salpicando os convidados. Uivos de dor, em coro desafinado, soltaram-se das bocas gulosas.
Depois foi uma algazarra, todos contra o raposo que, segundo eles, lhes tinha pregado uma feia partida. Acabou tudo à bulha.
Em casa da galinha, de novo com os filhos, tanta alegria nem se descreve.
Na hora da deita, os pintainhos, aconchegados à mãe, adormeceram felizes. Até ela sentiu, no centro daquele calor bom, o coraçãozinho deles a bater ao mesmo compasso sereno do coração dela, tum-tum, tum-tum, tum-tum?
E assim adormeceu.


sábado, 14 de janeiro de 2012

Adivinha do Dia.


Porque é que as rodas dos combóios são de ferro?

História do Dia.

Lágrimas

Por António Torrado | Cristina Malaquias



Era uma vez uma lágrima, uma lágrima de constipação. Sabem como é: o pingo no nariz, os olhos a arder, um espirro, outro espirro, e uma lágrima que se solta pelo cantinho do olho e escorrega, bochecha abaixo?
Era uma vez uma lágrima, uma lágrima de riso. Sabem do que falo: de tanto rir, tudo estala em nós e as lágrimas saltam dos olhos como fogo-de-artifício, foguetes de lágrimas?
Eram, pois, duas lágrimas.
Encontraram-se, no mesmo lenço.
- Ouvi dizer que também há lágrimas de tristeza - contou uma.
- Custa-me a acreditar - disse a outra.
Era a do riso quem assim falava.
Mas uma terceira lágrima chegou ao lenço. Tão de água, tão salgada como as outras. E da fonte dos mesmos olhos. Mas esta era diferente.
- Sou uma lágrima de dor - apresentou-se ela.
Seria verdade? Às outras duas parecia impossível. Quem a soltara, constipado que estava, ainda há pouco rira até às lágrimas. Como é que se pode passar, assim tão de repente, da alegria à mágoa?
- O que aconteceu, entretanto? - quiseram saber as duas lágrimas mais antigas.
- Foi um entalão - explicou a recém-chegada. - Quem me soltou tinha ido buscar um lenço dobrado à gaveta e, entretido a rir, ao fechar, entalou um dedo.
- Há desgraças piores - comentou a lágrima da constipação.
- Prefiro nem saber - suspirou a lágrima do riso.
O resto da conversa já não acompanhei, porque eu, o dono das três lágrimas, desfiz-me do lenço molhado para dentro da roupa suja. Lenços não me faltam, brancos ou às cores e para todas as ocasiões da vida.


sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Adivinha do Dia.

Qual é coisa, qual é ela, que atravessa todas as portas sem nunca entrar nem sair por elas?

História do Dia.

Promessas de Lobo


Por António Torrado | Cristina Malaquias

Um lobo, que tinha sido apanhado numa armadilha, prometeu que mudaria de hábitos alimentares, se o poupassem.
- De agora em diante, vou deixar de comer carne - garantiu ele aos homens que o tinham caçado. - Passo a comer ervas e, uma vez por outra, um peixinho de rio. Palavra de lobo!
Os homens deixaram-no ir, enquanto riam e faziam apostas.
- Ele não vai ser capaz - diziam uns.
- Talvez seja - contradiziam outros.
O lobo cumpriu o prometido. Tasquinhava ervinhas como um cordeiro. Comia frutos silvestres como um macaco. Roía raízes como uma toupeira.
Mas, um dia, deu com um enorme porco de mato, que tomava banho no rio.
- Que grande peixe! - exclamou o lobo, de olhos a luzir. - Há que tempos que não como nada de jeito.
E atirou-se ao porco de mato, mas como andava fraco e perdera o jeito, deixou escapar o porco e caiu de focinho na água.

Concurso Dia Mundial do Professor.

No âmbito das comemorações do Dia Mundial do Professor a Federação Nacional dos Professores decidiu promover, em parceria com a DELTA Cafés, no ano lectivo de 2011/2012, um concurso que, envolvendo os nossos alunos, revele o olhar que estes têm do(s) seu(s) professor(es)/educador(es) de infância – representação próxima da imagem que é captada sobre a importância social dos docentes pela generalidade dos cidadãos.
Todas as pessoas têm uma história e a história de um professor é feita, precisamente, desta relação tão próxima que é estabelecida com os seus alunos e os restantes membros das comunidades escolares.
O que se propõe é, portanto, que através da expressão plástica (desenho, pintura e recorte/colagem) os nossos alunos possam responder às perguntas:
• Qual a imagem que têm da importância social do professor
• O que representa(m) o(s) seu(s) Professor/Educador(es) na(s) sua(s) vida(s)
Regulamento
1. Organização: FENPROF – Federação Nacional dos Professores.
2. Apoio(s): Delta Cafés, Escolas e Jardins de Infância.
3. Destinatários: Crianças dos jardins de infância e alunos das escolas do ensino básico e do ensino secundário.
4. Objectivos: contribuir para a reflexão sobre a importância de ser professor; reconhecer a complexidade do exercício profissional docente; conhecer melhor o(s) docente(s) das escolas onde estudam; desenvolver o espírito crítico; estimular a criatividade; discutir um tema relevante para escola e para a sociedade portuguesa; estimular a construção de uma imagem positiva do(s) professor(es) dos nossos alunos.
5. Cada estabelecimento de ensino poderá apresentar até 5 trabalhos.
6. Os trabalhos devem ser apresentados em suporte de papel com a dimensão mínima de 42 X 30 cm e máxima de 60 X 40 cm.
7. As candidaturas deverão ser apresentadas pelos estabelecimentos de ensino.
8. O trabalho entregue na sede da organização do Concurso deve ser o original, não podendo ser, em caso algum, uma cópia do original.
9. As candidaturas, acompanhadas do(s) respectivo(s) trabalhos, devem ser apresentadas até ao dia 31 de Março de 2012.
10. As candidaturas devem ser enviadas por regiões (áreas sindicais) para as sedes dos respectivos sindicatos da área sindical respectiva (SPN, SPRC, SPGL, SPZS, SPM, SPRA, SPE) ou para a sede da Federação Nacional dos Professores – FENPROF, Rua Fialho de Almeida, 3 – 1.º, 1020-170 LISBOA.
11. Os trabalhos devem ser firmados com pseudónimo e acompanhados de envelope fechado, contendo o nome do estabelecimento de educação ou de ensino, nome do/a autor/a ou autores/as, ano de escolaridade, idades e turma a que pertencem, para além do nome da/o docente responsável por acompanhar a criação artística a concurso. No exterior do envelope deverá constar o pseudónimo.
12. Sempre que for apresentado mais de um trabalho por escola ou agrupamento, os mesmos devem ser submetidos em separado, com pseudónimos diferentes.
13. O Júri será designado pelo Secretariado Nacional da FENPROF e pela Delta Cafés e será composto por: um membro do Secretariado Nacional da FENPROF, um(a) docente das áreas de expressão e comunicação visual, um artista plástico e uma pessoa indicada pela Delta Cafés.
14. O Júri poderá não atribuir qualquer prémio, por entender não haver qualidade suficiente que o justifique.
15. O Júri pode atribuir menções honrosas.
16. Das decisões do Júri não há recurso.
17. As situações omissas neste Regulamento serão decididas pelo Júri.
18. Serão atribuídos os seguintes prémios:
a) Melhor trabalho a concurso:
• Educação Pré-Escolar – €100,00
• 1.º Ciclo do Ensino Básico – €100,00
• 2.º e 3.º Ciclos do Ensino Básico – €100,00
• Ensino Secundário – €100,00
• Educação Especial – €100,00
b) Edição de 10 Pacotes de Açúcar reproduzindo os 10 melhores trabalhos a concurso.
c) Realização de uma exposição itinerante com uma selecção dos 50 melhores exemplares da totalidade dos trabalhos a concurso, para cuja inauguração, em 5 de Outubro de 2012, serão convidados especiais os artistas premiados.
19. A indicação pública dos vencedores será feita no dia 30 de Junho de 2012.
20. A FENPROF não se obriga a devolver os trabalhos premiados a concurso.
21. Serão excluídos os trabalhos que não respeitem as condições previstas neste Regulamento.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O novo livro de Margarida Fonseca Santos.

Em Fevereiro!

A Margarida vai para o 5.º ano numa nova escola e é lançada, de repente, num mundo de gente crescida, ou quase… Mas depressa vê ruir todas as expectativas: o recreio é grande de mais, os professores são muitos e deixam-na baralhada, não conhece praticamente ninguém. E o pior, para a 6ª filha da família Machado, vai ser a troça de que é alvo por parte de certos colegas. Ao longo do 1º período, a Margarida percebe que odeia a nova escola, e que a única hipótese que lhe resta é fugir, preparando uma embrulhada de tal forma tola, que nem ela própria sabe como resolver: zanga-se com a Laurinha, a sua melhor amiga de sempre, a Alice adoece, e desaparece-lhe o conteúdo inteiro do cacifo. Tudo acontece à pobre Margarida, que até tem o azar de, num dia especial, ver a sua cabeça habitada não só por pensamentos, mas por uma colónia inteira de piolhos que a obrigam a mudar de planos. No meio de um caso de detectives, a Margarida tem de aprender a viver com um feitiço desconhecido que de repente se vira contra o feiticeiro e a faz perceber o significado da palavra saudade.

Adivinha do Dia.

Sou mais vasto do que o mar e ninguém me pode ver, todo o mundo é meu lugar, sem mim não podes viver.

História do Dia.

As Hastes do Veado Vaidoso

Por António Torrado | Cristina Malaquias


Era uma vez um veado que tinha em grande apreço as suas hastes recortadas, que lhe davam à cabeça um ar de majestade.
Quando ia dessedentar-se no lago, tanto bebia como se mirava.
- Que gloriosos chifres os meus! Nenhum animal de cornos os tem tão formosos.
Em contrapartida, as patas delgadinhas desgostavam-no. Debruçado para a água, comparava-as com a volumosa e artística cornadura, e dizia:
- As minhas pernas estão desproporcionadas com os outros extremos do meu corpo. Não fossem elas assim tão estreitas e eu seria o mais elegante dos animais.
Nisto, o veado ouviu, não longe, o uivo de trompas de caça. Ele sabia o que aquela música significava. Fugiu.
Caçadores a cavalo perseguiram-no. Corriam os cavalos a galope e corria o veado, com quantas pernas tinha.
Ágeis, as pernas, no arremesso do medo, saltavam barrancos, venciam precipícios, quase voavam. O veado só pedia que o vigor das pernas não o abandonasse.
Mas, num túnel de ramos, os galhos do veado embaraçaram-se nos troncos e suspenderam-lhe a corrida. Já se aproximavam os cavaleiros. Os belos chifres estavam a deitá-lo a perder.
Sentindo-se perdido, o veado deu um sacão ao corpo e metade de um chifre, que estava preso, partiu-se. Deixá-lo. O veado livrou-se.
As pernas retomaram a fogosa carreira da salvação e o veado conseguiu escapar dos caçadores.
Já livre de perigo, o veado pôs-se a pensar no que lhe sucedera. As pernas, que ele há pouco desprezava, tinham-no salvo. As hastes da sua vaidade por pouco que não o atraiçoavam.

Concurso Nacional de Leitura (CNL): alunos finalistas e suplentes.

Concurso Nacional de Leitura (CNL): resultados finais.

Museu Guggenheim.

O famoso Museu Guggenheim, com sede em Nova Iorque, anunciou a disponibilização de seus livros fora de catálogo no formato digital, gratuitos. A digitalização foi feita em parceria com o The Internet Archive, biblioteca digital sem fins lucrativos que tem como missão, desde 1996, o “acesso universal a todo o conhecimento”, oferecendo armazenamento permanente e acesso a coleções de sites, músicas, vídeos, e quase 3 milhões de livros de domínio público.
É possível ler os livros no próprio site, online, ou então baixá-los com uma qualidade menor para o seu computador. O uso é livre, mas não comercial. Uma brilhante iniciativa que só poderia vir de um grande museu como esse. Ninguém pode reclamar que não há o que ler sem gastar dinheiro!
Acesse o arquivo nesse link.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Ler em Português.

A Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, a Rede de Bibliotecas Escolares e o Plano Nacional de Leitura lançam, em 2011.12, a 1ª edição do concurso Ler em Português, com o intuito de promover a utilização da Língua Portuguesa, aumentar as práticas de leitura e aprofundar a troca de experiências entre alunos e professores portugueses e norte-americanos.
Esta iniciativa conta, ainda, com a colaboração, no acompanhamento e divulgação locais, de outras entidades, designadamente a Secretaria Regional da Educação e Formação – Região Autónoma dos Açores, da Secretaria Regional da Educação e Cultura – Região Autónoma da Madeira e da Coordenação do Ensino de Português nos Estados Unidos da América.
Num mundo globalizado em que cada país está aberto à influência dos outros, podendo também influenciá-los, é necessário conhecer, de facto, a realidade dos diferentes povos e culturas, para que as diversas identidades se desenvolvam em harmonia, equilíbrio e com abertura ao exterior. Com este concurso, que se espera estimulante, a grande atração que a cultura norte-americana exerce sobre os jovens portugueses poderá ser compensada por um maior conhecimento da realidade cultural portuguesa pelos jovens norte-americanos, através da utilização ativa das redes que hoje nos fazem comunicar e vencer as distâncias geográficas.
Utilizada por mais de 200 milhões de pessoas em todo o mundo como veículo de comunicação, a Língua Portuguesa torna-se, cada vez mais, um idioma universal que importa difundir com o intuito de aproximar culturas, divulgar autores e criadores, transmitir conhecimentos, ideias, reflexões e pontos de vista diversos, sobre a realidade intelectual e a vida social.
Acreditamos que a parceria estabelecida entre a FLAD, a RBE e o PNL permitirá criar comunidades de leitores, numa perspetiva aberta e cosmopolita, tendo como base a construção de uma cidadania responsável e plural, consciente dos matizes culturais que interagem no quotidiano das sociedades do século XXI.

Mais informações ou esclarecimentos sobre o concurso Ler em Português podem ser solicitadas, por correio eletrónico, para info@lerportugues.net.

Adivinha do Dia.



Qual é o bicho qual é, sem osso nem espinha?

História do Dia.

A Galinha Pinta

Por António Torrado | Cristina Malaquias


A minha galinha pinta
põe três ovos ao dia,
se ela pusesse quatro
que dinheiro não faria!

Já me deram pela cabeça
uma vaquinha moiresca.
Já me deram pela crista
uma vaquinha moirisca.
Já me deram pela moela
uma vaquinha moirela.
Já me deram pelas penas
duas vaquinhas morenas.
Já me deram pelo rabo
um cavalo enfreiado.

Já me deram pelas tripas
duas feixadas de fitas.
Já me deram pelas asas
uma aldeia com dez casas.
Já me deram pela língua
a cidade de Coimbra.
Já me deram pelas pernas
umas meias amarelas.
Já me deram pelo corpo
toda a cidade do Porto.

Galinha que vale tanto
das penas até ao osso
não vai parar ao convento.
Vou eu comê-la ao almoço.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Adivinha do Dia.

O que será, que será, que o livro de Português disse ao livro de Matemática?

História do Dia.

Uma Carica e Tanto

Por António Torrado | Cristina Malaquias



Vou contar-vos, hoje, a história desta carica. Não é uma carica qualquer. Desde que nascera que sabia que estava reservada para altos destinos. Descendia da lata, pois descendia, mas à lata não voltaria.
Amoldada, como milhares das suas irmãs, à boca de uma garrafa, foi à vida com a garrafa a que a juntaram.
Um dia, uma pressão - tche! E rua, chão... Chão com a carica que já não serve para nada.
Quem disse que já não serve para nada? Agora é que ela ia começar a viver. Que aventura!
Primeiro, foi moeda de troca. ?Dou-te uma carica destas. Dá-me duas das outras."
Andou por várias colecções, conheceu muitos bolsos, muitas mãos... Sentiu-se moeda de peso, das fortes, das que não se desvalorizam, libra, dobrão de ouro ou mais ainda.
Depois, conheceu o entusiasmo das corridas, na beira dos passeios. Ganhou provas, fez-se notar. Bastava um piparote e lá ia ela, a carica motorizada, a caminho da vitória.
Mas o melhor da festa, o seu dia de glória, foi quando medalhou o peito de um ?general" de brincar por casa. Nesse dia, sentiu-se a estrela mais brilhante da constelação das caricas.
Se lhe perguntassem, então:
- Carica, quanto vales?
Ela responderia:
- Tanto ou mais do que peso. A minha fortuna está no que sirvo. Entrei em muitas corridas, participei em muitas colecções, viajei muito, conheci imensa gente. Não tenho preço. Fui moeda, peso, monóculo, prato, chávena, pires, taça, medalha, automóvel...
Para ser isto tudo e mais ainda, hás-de concordar que é preciso ter muita lata.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Adivinha do Dia.


Qual é coisa, qual é ela, que cai de muito alto mas nunca se aleija?

História do Dia.

O Burro e o Leão

Por António Torrado | Cristina Malaquias



O burro andava muito feliz. Sentia-se o rei da criação, isto é, o rei das galinhas, dos patos e dos perus do quintal onde vivia. E também das cabras, dos porcos e das ovelhas, porque aquele quintal era muito povoado.
Quando ele zurrava, todos fugiam.
As zurradelas do burro, realmente, eram de tal força, que assustavam qualquer bichinho. Até o cão se afastava, em sinal de respeito.
- Nunca imaginei que possuísse tanto poder? - dizia de si para si o burro, todo inchado de bazófia.
E fartava-se de zurrar, a torto e a direito, clamando que era ele o rei? iam-iam!.. o rei? dos? iam-iam!... dos animais? iam-iam!
Vozes de burro não chegam ao céu, diz-se, mas chegaram aos ouvidos do leão.
- Não sabia que tinha concorrentes de tamanha qualidade - disse ele, num breve rugido de ironia.
Estava bem-disposto o leão. Tinha-se refastelado com um suculento almoço de carne de javali, entremeado com o resto de um cabrito, que sobrara do jantar anterior. Tão cedo não ia ter vontade de comer e muito menos de comer carne de burro, que enjoava. O leão era de gostos mais apurados.
Sua Majestade espreguiçou-se, arrotou (com licença!) e disse:
- Vamos lá visitar esse fenómeno que se proclamou o rei dos animais.
Encontrou o burro a pastar num outeiro, não longe do quintal, onde tinha estábulo.
O burro, quando o viu, estremeceu, mas não quis dar parte fraca. Nem parecia bem que um rei, coroado de tão altas orelhas, sinal de majestade, fugisse diante de um animal de quem se não viam as orelhas, escondidas pela farta juba. O burro tinha a coragem dos simples. E dos ignorantes.
- Constou-me - começou o leão -, constou-me que te intitulas o rei dos animais. É verdade?
- É - respondeu, singelamente, o burro.
- Em que te baseias para ostentar o título? Donde te vem tal pretensão? Os teus pais ou os teus avós já eram reis da natureza animal? - questionou o leão, não sustendo a cólera. - Quantos reis burros houve antes de ti?
- Iniciei a dinastia - explicou o burro. - Iniciei a dinastia, com a força da minha voz. Queres ver?
- Estou cheio de curiosidade - disse o leão, sentando-se nas patas traseiras. - Demonstra-me, então, os teus predicados reais.
O burro repuxou o ar para os pulmões e, do alto do outeiro, trombeteou uma zurradela tão poderosa que gafanhotos, perdizes, estorninhos, lebres e coelhos do mato saltaram de todos os lados, num grande alarme. Lá longe, no quintal, os galináceos mandaram as galinhas para a capoeira e eles correram atrás. O mesmo fizeram os patos e os perus. Zurrar do burro equivalia a sirene dos bombeiros ou toque de recolher.
- A minha voz não tem igual. Assusto a bicharada em meu redor, como acabo de demonstrar - disse o burro, tossicando de importância.
- Efectivamente, possuis uma voz, que faz tremer as folhas - reconheceu o leão. - E como vamos de sombra?
- De sombra? - intrigou-se o burro.
- Sim, de sombra - insistiu o leão. - Queres reparar? Ora toma atenção.
Aqui o leão interpôs o corpo entre o sol e o quintal. A sua sombra majestosa projectou-se sobre a capoeira, a coelheira, o estábulo e o cortelho. Um vozear de pânico despegou-se da natureza, fosse brava ou mansa:
- O leão! - como o rolar de trovoada ao longe.
Depois, fez-se silêncio e frio, nem que tivesse descido, repentinamente, a noite. Até as cigarras pararam de serrar o sol.
O burro sentiu esse raio paralisante, que atravessava tudo, e borrou-se de medo.
Já o leão se afastava, pausada e majestosamente. Não precisava de dizer mais nada. A verdadeira grandeza dispensa zurradelas.
Em sentido contrário ao do leão, o burro, de orelhas caídas, desceu o outeiro, em direcção ao quintal. Recolhia à estrebaria e levava muito em que pensar.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Empréstimo domiciliário para Encarregados de Educação.

A Biblioteca Escolar, no presente ano letivo, lança o empréstimo domiciliário para Encarregados de Educação. Deste modo, os Encarregados de Educação têm a possibilidade de requisitar, para empréstimo por quinze dias, as obras pertencentes ao fundo documental desta Biblioteca Escolar. Do mesmo modo, convidamos todos os Encarregados de Educação que o desejem a planificar, conjuntamente com os professores bibliotecários, momentos/sessões de leitura e/ou outras atividades motivadoras desta competência no espaço físico da Biblioteca Escolar. Para tal, basta entrar em contato com os Professores Bibliotecários através do correio eletrónico biblio23@escolasabelheira.com, do telefone da escola ou através do Diretor de Turma.