Para Moita Lopes, (1996:140), há dois tipos de
conhecimento utilizados em relação à linguagem no processo de leitura e
interpretação. O primeiro, o conhecimento
esquemático, que compreende o
conhecimento extralinguístico e o conhecimento prévio do leitor, são esquemas
mentais que ajudam nas inferências do leitor, os quais são associados às ideias
expressas no texto. O segundo, o conhecimento
sistémico, que se refere à competência linguística, a qual engloba o
nível lexical, sintático e semântico desenvolvidos pelo aluno-leitor.
As teorias de esquemas não consideram a leitura como
um ato comunicativo. Por isso, sugere-se que esse modelo seja complementado,
de tal forma que haja uma efetiva interação comunicativa entre o leitor e o
escritor, pois este deixa as suas marcas linguísticas, transparecendo o seu
modo de ver e perceber os factos. O leitor, por sua vez, aciona os seus
conhecimentos e faz inferências sobre o que foi escrito, construindo, desse
modo, o sentido do texto. Assim, para uma leitura efetiva, necessita-se de
diversos componentes pré-existentes ao momento da leitura.
Considerando a leitura como um acto comunicativo,
mesmo implicitamente, tanto autores quanto leitores estão posicionados social,
política, cultural e historicamente, projetando os seus valores e crenças na
construção do significado do texto. Assim, produzir ou ler é estar envolvido
numa prática social. Por isso, é oportuno o desenvolvimento de uma leitura
crítica do texto, tendo em vista que a linguagem reflete as relações de poder
expressa pela classe dominante, que são, muitas vezes, armadilhas que podem ser
percebidas.
Por isso, a necessidade de
uma compreensão mais profunda, o que exige uma procura do que está implícito ou
nas entrelinhas, em outra palavras, uma leitura crítica em relação ao conteúdo
ideológico. A postura ideológica do autor pode ser evidenciada através das
escolhas lexicais, por meio de construções e estratégias linguísticas. Esses
recursos empregados por meio da linguagem são verdadeiras armadilhas para a
maioria dos leitores menos familiarizados com a força ideológica expressa pela
linguagem. Daí a importância de o professor promover não só atividades
linguísticas e metalinguísticas, mas também atividades epilinguísticas que
façam o aluno refletir sobre as diversas funções e formas de uso da linguagem,
que vão além da mera informação, descrição ou relato. Ao contrário, pressupõe
convencer ou persuadir.
Pires de Lima
Pires de Lima
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