Catálogo da BE

domingo, 19 de setembro de 2010

ANIMAIS E BICHOS DE TODOS OS TAMANHOS E FEITIOS



É comummente aceite a ideia de que os animais são um campo de interesse para a criança, organizando-se em bestiários afectivos que ela reconhece nos textos literários. Assim, nos textos de recepção infantil é possível descobrir as espécies mais assíduas e constatar o simbolismo de algumas delas. Para mais informações, clique em:

http://195.23.38.178/casadaleitura/portalbeta/bo/documentos/biblio_animais_a_C.pdf


A FÁBULA



A temática animal continua a ser decisiva na produção contemporânea destinada à infância, ocupando um lugar significativo entre as publicações mais recentes. O conjunto de espécies seleccionadas não é arbitrário e corresponde a propósitos relacionados quer com as preferências dos autores, quer com o simbolismo dos animais escolhidos. A aproximação entre a criança e os animais do ponto de vista do comportamento, dos sentimentos e até das emoções permite aos autores recriar situações com que o leitor se pode facilmente identificar porque as reconhece como próximas e significativas. É aceite a ideia de que os animais interessam a criança desde muito pequena, constituindo-se como bestiários afectivos que ela reconhece nos textos literários. Para mais informações, aceda ao sítio:


http://195.23.38.178/casadaleitura/portalbeta/bo/documentos/tem_fabula_a_C.pdf


SELECÇÃO DE LEITURAS DO PROJECTO «CORPO DAS PALAVRAS»

Corpo das Palavras é o nome do «kit bibliográfico de apoio a acções de educação sexual no 1.º Ciclo do Ensino Básico» desenvolvido pelo Centro de Recursos em Conhecimento da APF (Associação para o Planeamento da Família), que propõe um número considerável de títulos (disponibilizados pelo Centro) de apoio e dinamização das actividades de educação sexual e educação para a saúde realizadas em meio escolar. Neste documento reúne-se toda a bibliografia sugerida pelo projecto, que constitui uma ferramenta de trabalho útil para os profissionais de educação que queiram perceber melhor como trabalhar estes temas com os seus alunos. Para mais informações, acedam ao sítio:

http://195.23.38.178/casadaleitura/portalbeta/bo/documentos/t_bibl_corpo_das_palavras_b.pdf

sábado, 18 de setembro de 2010

Um livro espera-te. Procura-o!



Um livro espera-te. Procura-o



Era uma vez

um barquinho pequenino,

que não sabia,

não podia

navegar.


Passaram uma, duas, três,

quatro, cinco, seis semanas,

e aquele barquinho,

aquele barquinho

navegou.



Antes de se aprender a ler aprende-se a brincar. E a cantar. Eu e os meninos da minha terra entoávamos esta cantiga quando ainda não sabíamos ler. Juntávamo-nos na rua, fazendo uma roda e, ao despique com as vozes dos grilos no Verão, cantávamos uma e outra vez a impotência do barquinho que não sabia navegar.


Às vezes construíamos barquinhos de papel, íamos pô-los nos charcos e os barquinhos desfaziam-se sem conseguirem alcançar nenhuma costa.


Eu também era um barco pequeno fundeado nas ruas do meu bairro. Passava as tardes numa açoteia vendo o sol esconder-se à hora do poente, e pressentia na lonjura – não sabia ainda se nos longes do espaço, se nos longes do coração – um mundo maravilhoso que se estendia para lá do que a minha vista alcançava.


Por detrás de umas caixas, num armário da minha casa, também havia um livro pequenino que não podia navegar porque ninguém o lia. Quantas vezes passei por ele, sem me dar conta da sua existência! O barco de papel, encalhado na lama; o livro solitário, oculto na estante, atrás das caixas de cartão.


Um dia, a minha mão, à procura de alguma coisa, tocou na lombada do livro. Se eu fosse livro, contaria a coisa assim: «Certo dia, a mão de um menino roçou na minha capa e eu senti que as minhas velas se desdobravam


e eu começava a navegar.»


Que surpresa quando, por fim, os meus olhos tiveram na frente aquele objecto! Era um pequeno livro de capa vermelha e marca-de-água dourada. Abri-o expectante como quem encontra um cofre e ansioso por conhecer o seu conteúdo. E não era para menos. Mal comecei a ler, compreendi que a aventura estava servida: a valentia do protagonista, as personagens bondosas, as malvadas, as ilustrações com frases em pé-de-página que observava uma e outra vez, o perigo, as surpresas…, tudo isso me transportou a um mundo apaixonante e desconhecido.


Desse modo descobri que para lá da minha casa havia um rio, e que atrás do rio havia um mar e que no mar, à espera de partir, havia um barco. O primeiro em que embarquei chamava-se Hispaniola, mas teria sido igual se se chamasse Nautilus, Rocinante, a embarcação de Sindbad ou a jangada de Huckleberry. Todos eles, por mais tempo que passe, estarão sempre à espera de que os olhos de um menino desamarrem as suas velas e os façam zarpar.


É por isso que… não esperes mais, estende a tua mão, pega num livro, abre-o, lê: descobrirás, como na cantiga da minha infância, que não há barco, por pequeno que seja, que em pouco tempo não aprenda a navegar.



Eliacer Cansino


Tradução: José António Gomes

sábado, 4 de setembro de 2010

COMEMORAÇÕES DO DIA MUNDIAL DO MAR em Viana do Castelo

11 a 26 de Setembro - “2010: Ano do Marítimo”


A Câmara Municipal de Viana do Castelo associa-se ao Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos, IP (IPTM) para as comemorações do Dia Mundial do Mar.

Sob o lema "2010: Ano do Marítimo", o IPTM disponibiliza na sua página da Internet o programa geral das comemorações um pouco por todo o país, incluindo Viana do Castelo, cidade onde a programação decorrerá entre os dias 11 e 26 de Setembro com diversas actividades.

O programa preliminar para Viana do Castelo está disponível no site do CMIA.


sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Escola de Darque comemora 20 anos de funcionamento e relembra antigo director.

O Agrupamento de Escolas de Darque no meio da preparação árdua de um novo ano ainda tem tempo para se lembrar que faz 20 anos e é preciso ter festa.

A actual EB23 Carteado Mena, na vila de Darque, iniciou o seu funcionamento há exactamente 20 anos. Para lembrar a data vai realizar uma abertura de ano lectivo especial no dia 10 de Setembro, a partir das 17 horas. Entre as actividades previstas inclui-se um homenagem ao professor Fernando Campos, anterior presidente do Conselho Executivo, já falecido.

Estas comemorações coordenam-se com uma recepção festiva aos novos alunos, a entrega de um Prémio relativo ao 1º lugar do Concurso BES para cartazes para as bibliotecas escolares e a entrega dos certificados dos adultos do Centro Novas Oportunidades.

EXPOSIÇÃO Escolar CMIA

“PROJECTO PEDAGÓGICO COMPOSTAGEM NAS ESCOLAS”

Exposição de trabalhos das 46 escolas envolvidas no projecto pedagógico “Compostagem nas escolas”.

Retratam um pouco do trabalho dinamizados pelas escolas do concelho de Viana do Castelo durante o ano lectivo 2009/2010 sobre este tema em escolas desde o pré-escolar ao ensino secundário.





LOCALIZAÇÃO DO CMIA: http://www.cmia-viana-castelo.pt/index.php?option=com_google_maps&Itemid=46

Para mais informações contacte o site do CMIA onde encontra um Banco de Imagens das actividades já desenvolvidas.

EXPOSIÇÃO TEMÁTICA DO CMIA



“BIODIVERSIDADE EM ESPAÇOS NATURAIS DE VIANA DO CASTELO”

Exposição produzida pelo Município de Viana do Castelo em parceria som a Sociedade Portuguesa de Vida Selvagem.

Apresenta uma breve descrição dos espaços naturais mais marcantes do concelho e sua biodiversidade e um aquário de água doce.

Reporta-nos para a importância de reconhecer o valor que cada elemento natural tem no meio ambiente e necessidade da sua protecção.

Está disponível no CMIA o catálogo de conteúdos mais detalhados sobre o tema

A exposição estará patente no CMIA de Viana do Castelo até dia 16 de Outubro -- a entrada é livre.

Integrará a partir de Novembro de 2010 o conjunto de exposições itinerantes que o CMIA tem disponível para requisição por qualquer entidade.

ACTIVIDADES NO CMIA Viana do Castelo – SETEMBRO 2010


ACÇÕES DE SENSIBILIZAÇÃO “BIODIVERSIDADE EM MEIO AQUÁTICO, integrado no Programa Bandeira Azul da Europa.

4 de Setembro (17H00-19H00) - "Detectives de Animais"

O CMIA convida-nos a descobrir como encontrar os animais discretos que vivem nas Veiga de S. Simão.

Com recurso a armadilhagem, câmaras fotográficas automáticas, estações de cheiro e pesquisa de vestígios, procurar-se-á demonstrar ao público a presença de animais que habitam a Veiga de S. Simão, com maior ênfase nos mamíferos.

Horário: 17H00-19H00, com ponto de encontro no CMIA e saída às veigas de Viana do castelo (S. Simão e/ou Areosa).

Dinamizado por Pedro Gomes da Sociedade Portuguesa para a Vida Selvagem / Universidade do Minho.

11 de Setembro (9H00) - "Avifauna no litoral marinho"

Num percurso de barco, vamos descobrir as diversas aves que se interrelacionam com o nosso litoral, estuário e costa vianense.9H00: Ponto de encontro no CMIA.

9H15: Saída de barco para estuário e mar.

Dinamizado por Hélder Araújo e Jorge Santos da Sociedade Portuguesa para a Vida Selvagem / Universidade do Minho.

Inscrições obrigatórias para as duas actividades (participação gratuita). Jovens até aos 18 anos de idade devem ser acompanhados por adultos.









quinta-feira, 2 de setembro de 2010


Campeonatos escolares superTmatik - ano lectivo 2010/11 - com inscrições abertas para escolas.

Destinados a alunos do 1º, 2º e 3º ciclos do ensino básico de escolas públicas e privadas, os campeonatos abrangem este ano lectivo mais três competições: Matemática, Sinónimos - Língua Portuguesa e Cristianismo. Regulamentos e inscrições disponíveis na secção Campeonatos (clique nos botões respectivos). Mais informações contacte: dep.cultural@eudactica.com ou 309 826 948 (rede fixa).



Especialmente dedicada ao desenvolvimento de materiais didácticos estimuladores da agilidade mental, surge em Dezembro de 2007 a editora EUDACTICA. Representante exclusiva das marcas portuguesas superTmatik e PIGNUSMANIA, a empresa concentra também a sua actividade na criação de outros produtos facilitadores do desenvolvimento cognitivo e na organização de campeonatos escolares, cuja adesão massiva de alunos reflecte a excelência das suas publicações.



Continuar a contribuir para a melhoria da qualidade da educação nas Escolas e Famílias é a meta EUDACTICA!





Até 31.JAN, Escolas



Inscrição de alunos do básico



III Campeonato Escolar superTmatik Quizz



Língua Portuguesa



http://www.eudactica.com/





Mais um novo ano lectivo!


Os Professores Bibliotecários desejam à Direcção, professores e assistentes operacionais um bom regresso à escola e que o ano lectivo, que agora se inicia, seja repleto do maior sucesso. Aos professores, em particular, desejam que tornem uma constante, na sua prática, o trabalho colaborativo e articulado. Perante as novas exigências "impostas" à escola, tudo se tornará mais fácil e agradável se entre todos reinar a inter-ajuda e a partilha de estratégias e metodologias didáctico-pedagógicas numa atitude pró-activa na edificação do sucesso. Como no pretérito ano lectivo, encontrem na BE/CRE uma parceira na assumpção de um mesmo ideal: que o nosso Agrupamento seja um Agrupamento de sucesso e de reconhecido mérito.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

TEATRO NO CASTELO DE LANHOSO: 09, 10, 16, 17, 23, 24, 30 e 31 de JULHO








Saga de Zacarias Contra a Morte e o Diabo







UM NOVO CONCEITO DE TEATRO NASCE NA PÓVOA DE LANHOSO



TEATRO GASTRONÓMICO



A SAGA DE ZACARIAS CONTRA A MORTE E O DIABO




Um espectáculo de teatro que recebe os espectadores dentro de uma quinta rural envolvendo-os na ambiência do campo, onde são recebidos com uma malga de vinho para temperar as goelas em seguida passam a casa principal onde acontece a acção teatral da Saga de Zacarias contra a Morte e o Diabo, história do homem que tenta enganar a Morte para ganhar mais vida. Patifarias, brincadeiras, patuscadas e muita comédia para arrancar boas gargalhadas do público. As picardias e artimanhas de um labrego esperto que para ganhar vida, convida a Morte para ser a sua comadre e para ter mais vida ainda, faz um pacto com o Diabo. Quem será mais forte? A Morte ou o Diabo? Como termina esta saga divertida deste Zacarias?
O Centro de Criatividade da Póvoa de Lanhoso procura nesta nova produção teatral, realizar um exercício dentro de um conceito novo: Teatro Gastronómico. O espectador come, bebe, dança, janta com as personagens. No decorrer da encenação são servidas iguarias da culinária minhota e tudo acaba num grande jantar onde todos comem o protagonista, o Zacarias! Um Pica-no-Chão especial preparado com o requinte dos sabores do Minho.


Texto e encenação do director galego Moncho Rodriguez, interpretado pelos actores residentes do projecto do CCPL: Sofia Lemos (A Morte) Armando Luís (o Zacarias) Isabel Pinto (a Mulher de Zacarias) Roberto Moreira (O Diabo) e Marta Carvalho (A Rezadeira e Juvita). Música de Narciso Fernandes e Ramon Barreto uma produção associada do Centro de Criatividade com a ATPL e Turismo da Póvoa de Lanhoso.


O espectáculo acontece em duas temporadas: a primeira na Quinta Turística Maria da Fonte na Póvoa de Lanhoso e a segunda no Castelo de Lanhoso.


Quinta Turística Maria da Fonte - Freguesia de Calvos, Póvoa de Lanhoso


25 e 26 de Junho


Inicio do Espectáculo: 20h30m


Preço por Pessoa: 20€


Castelo de Lanhoso - Póvoa de Lanhoso


16 e 17 de Julho


Inicio do Espectáculo: 21h


Reservas e informações:
Posto de Turismo – 253 639 708


turismo@cm-povoadelanhoso.pt


Centro de Criatividade: 253 637 418 Centro.criatividade@mun-planhoso.pt
ATPL - 253 633 677 info@atpl.pt

terça-feira, 6 de julho de 2010

Morreu a escritora Matilde Rosa Araújo.



A escritora Matilde Rosa Araújo morreu hoje de madrugada, na sua casa, em Lisboa, aos 89 anos. O corpo da autora estará a partir das 17h30 de hoje em câmara ardente na Sala-Galeria Carlos Paredes da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA). O funeral realiza-se a partir das 15h00 de amanhã para o Cemitério dos Prazeres, informou a SPA.


Nascida em Lisboa a 20 de Junho de 1921, numa quinta dos avós em Benfica, Matilde Rosa Araújo licenciou-se, em 1945, em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, tendo feito uma tese sobre jornalismo. Depois, foi professora do ensino técnico profissional em várias cidades do país, tendo ficado efectiva no Porto. Foi também professora do primeiro curso de Literatura para a Infância, na Escola do Magistério Primário de Lisboa. Enquanto estudante, foi aluna de Jacinto do Prado Coelho e Vitorino Nemésio e colega de Sebastião da Gama, Luísa Dacosta, David Mourão-Ferreira e Urbano Tavares Rodrigues.
Autora de livros de contos e poesia para adultos e de mais de duas dezenas de livros de contos e poesia para crianças - como "O Sol e o Menino dos Pés Frios", "História de uma Flor" e "O Reino das Sete Pontas" - dedicou-se intensamente à defesa dos direitos das crianças através da publicação de livros e de intervenções em organismos com actividade nesta área, como a UNICEF em Portugal.



Três eixos da infância



Nos seus livros, a autora centrou-se sempre em três grandes eixos de orientação: a infância dourada, a infância agredida e a infância como projecto. Em 2004, quando recebeu o Prémio de Carreira da SPA, Matilde Rosa Araújo afirmou que "os jovens lhe ensinaram uma espécie de luz da vida", porque "o seu olhar é de uma verdade intensa e absoluta". Entre os seus livros mais importantes para a infância contam-se "Os direitos das crianças", "O palhaço verde" e "O livro da Tila" - nome pelo qual era conhecida entre os amigos.


Ávida pelos jornais, Matilde Rosa Araújo foi colaboradora da imprensa nacional e regional, como “A Capital”, “O Comércio do Porto”, “República”, “Diário de Lisboa”, “Diário de Notícias” e “Jornal do Fundão” e nas revistas “Távola Redonda”, “Graal”, “Árvore”, “Vértice”, “Seara Nova” e “Colóquio/Letras”.
Desde cedo preocupada com os direitos das crianças, tornou-se sócia fundadora do Comité Português da Unicef e do Instituto de Apoio à Criança. Escreveu váias vezes sobre o interesse da infância na educação e na criação literária para adultos e sobre a utilidade da literatura infanto-juvenil na formação dos mais novos.
Apesar da sua actividade em diferentes campos, foi sobretudo como escritora que Matilde Rosa Araújo se tornou mais conhecida, dado ter desenvolvido intensa actividade literária para o público adulto e infanto-juvenil, obtendo nesta área diversos galardões e tendo vários volumes publicados no estrangeiro.



Estreia em 1943


A sua estreia na literatura teve lugar em 1943 com "A Garrana", uma história sobre a eutanásia com a qual venceu o concurso "Procura-se um Novelista", do jornal “O Século”, em cujo júri de encontrava Aquilino Ribeiro. Para o público adulto escreveu também "Estrada Sem Nome", obra galardoada num concurso de contos da Faculdade de Letras, "Praia Nova", "O Chão e as Estrelas" e "Voz Nua".


Na literatura para crianças, o primeiro título publicado foi "O Livro da Tila" (1957) - escrito nas viagens de comboio entre Lisboa e Portalegre, onde leccionava, e cujos poemas foram musicados por Lopes Graça. Seguiram-se "O Palhaço Verde", "História de um Rapaz", "O Sol e o Menino dos Pés Frios", "O Reino das Sete Pontas", "História de uma Flor", "O Gato Dourado", "As Botas de Meu Pai", "As Fadas Verdes" e "Segredos e Brincadeiras" e os mais recentes "A saquinha da flor" e "Lucilina e Antenor", entre cerca de 40 títulos. Com ela colaboraram várias gerações de ilustradores portugueses, de Maria Keil a Gémeo Luís e a João Fazenda.


Em 2009, foi publicada a obra "Matilde Rosa Araújo - um olhar de menina", uma biografia romanceada da escritora com texto de Adélia Carvalho e ilustração de Marta Madureira. Membro da Sociedade Portuguesa de Escritores (actual APE), Matilde Rosa Araújo ocupava um cargo directivo quando, em 1965, a instituição premiou o angolano José Luandino Vieira, então preso no Tarrafal, o que levou a PIDE a invadir as instalações e a demitir a direcção.



Muitos prémios e uma condecoração



O Grande Prémio de Literatura para Criança da Fundação Calouste Gulbenkian (1980), que lhe foi atribuído ex-aequo com Ricardo Alberty, foi um dos primeiros entre os muitos que a sua obra literária viria a conquistar. Em 1991, recebeu o Prémio para o Melhor Livro Estrangeiro da Associação Paulista de Críticos de Arte de São Paulo, Brasil, por "O Palhaço Verde", e cinco anos depois viu a obra de poesia "Fadas Verdes" ser distinguida com o prémio Gulbenkian para o melhor livro para a infância publicado no biénio 1994-1995. Já em 1994, Matilde Rosa Araújo fora nomeada pela secção portuguesa do IBBY (Internacional Board on Books for Young People) para a edição de 1994 do Prémio Andersen, considerado o Nobel da Literatura para a Infância.
Em 2003, a escritora foi ainda condecorada, a 8 de Março, Dia da Mulher, pelo Presidente Jorge Sampaio, e em Novembro a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) decidiu, por unanimidade, agraciá-la com o Prémio Carreira (entregue em Maio de 2004), pela sua "obra de particular relevância no domínio da literatura infanto-juvenil". "É uma generosidade muito grande por uma carreira que me deu mais a mim do que eu dei a ela", disse a escritora na altura em que recebeu o prémio da SPA.
Matilde Rosa Araújo - que dizia conhecer dezenas de estabelecimentos de ensino do continente e ilhas - mantém-se viva através da Escola Básica 2,3 de São Domingos de Rana e da Biblioteca Municipal de Alcabideche, em Cascais, que foram baptizadas com o seu nome, tal como sucedeu a um prémio revelação na literatura infantil e juvenil instituído pela autarquia daquela vila em 1998.


terça-feira, 22 de junho de 2010

Lei deixa que cinzas de Saramago fiquem num jardim público.


Ainda não está decidido o local, mas as cinzas de José Saramago devem ficar num jardim em Lisboa, debaixo de uma pedra, um lugar público onde as pessoas possam passar e deixar uma flor. Esta era a vontade do autor de "O Memorial de Convento". Pilar del Río, que está à frente da Fundação Saramago, está a dar seguimento ao desejo manifestado pelo marido.

Já foi estudada a regulamentação e é possível cumprir este desejo de José Saramago desde que esteja salvaguardada a inviolabilidade do local. A decisão só será anunciada publicamente quando tudo estiver pronto.
Ainda não está decidido qual será o local escolhido, mas várias hipóteses têm sido pensadas (entre elas o jardim do Alto de Santa Catarina ou o jardim em frente à Casa dos Bicos, que é a sede da Fundação José Saramago, ou qualquer sítio que remeta para a sua obra).
No Decreto-Lei n.º 411, de 1998, lê-se que "as cinzas resultantes da cremação podem (...) ser entregues dentro de recipiente apropriado a quem tiver requerido a cremação, sendo livre o seu destino final".
Ângelo Mesquita, director municipal do Ambiente Urbano, disse ao PÚBLICO que, "se as cinzas forem depositadas no espaço público, a Câmara Municipal de Lisboa tem de aprovar esse acto". No entanto, o director não vê que exista qualquer óbice a essa autorização.
Por sua vez, José Sá Fernandes, o vereador dos Espaços Verdes, questionado sobre se será num jardim ou noutro local, respondeu: "Não sei, o assunto ainda está a ser analisado." Durante os últimos dias tem-se especulado na comunicação social portuguesa e internacional se as cinzas ficariam em Portugal ou se em Portugal e em Espanha. Desde o dia da morte de José Saramago que o PÚBLICO tem noticiado que os restos mortais do Nobel ficariam em Portugal. Anteontem, durante o discurso que o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, fez na cerimónia de homenagem que decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho, em Lisboa, disse peremptoriamente: "As cinzas de José Saramago descansarão na cidade de Lisboa."
A edição de ontem do jornal Diário de Notícias avançava com a notícia de que a vontade do escritor era que as suas cinzas ficassem num jardim, onde se colocaria uma pedra com o seu nome para que os leitores pudessem "lá ir pôr uma flor de vez em quando".
Não terá sido por acaso que José Saramago pensou num jardim. É uma decisão íntima, não se pode especular sobre ela e Pilar del Río ainda não veio a público explicar a decisão. O que é interessante nesta escolha é que o jardim é um espaço de regeneração. A especialista em jardins históricos Aurora Carapinha lembra que dentro da cidade o jardim é "o espaço de renovação". O jardim "é terra, é coisa natural" e "pode-se sempre renascer". Além de ser "um espaço onde as pessoas vão à procura de silêncio e de quietação." É um espaço de intimidade e ao mesmo tempo de sociabilidade (de desinquietação).


Saramago: Venda de livros aumenta quase dez vezes.



As vendas dos livros de José Saramago aumentaram quase dez vezes nos dias seguintes à morte do escritor, disseram hoje fontes de duas grandes cadeias de livrarias em Portugal.


Durante o fim-de-semana a Fnac teve um aumento de 800% na venda de livros do escritor, disse o director de marketing e comunicação da empresa, Viriato Filipe.


"Caim", "A Viagem do Elefante" e "Memorial do Convento" foram os títulos que registaram maior aumento de vendas, seguidos de outras obras, embora com aumentos de vendas menos significativos, acrescentou.


Já nas livrarias da Bertrand Editora, o aumento de vendas de livros de Saramago registado este fim-de-semana foi dez vezes superior ao ocorrido no fim-de-semana anterior à morte do escritor, disse a responsável de marketing da editora.


Marta Serra acrescentou que no fim-de-semana após a morte do escritor, as livrarias da Bertrand venderam 1 000 livros de Saramago contra os 100 do fim-de-semana anterior.


"Caim" (300 exemplares), "Memorial do Convento" (200 exemplares" e "A Viagem do Elefante" (150 exemplares) foram os títulos mais vendidos pela Bertrand após a morte do Nobel da Literatura.


Zeferino Coelho, responsável pela Editorial Caminho, editora de Saramago, corroborou o aumento da procura de obras do escritor nos dias seguintes ao seu falecimento.


Questionado sobre se a editora irá fazer reedições de obras do Nobel da Literatura, Zeferino Coelho disse que as obras de Saramago "se reimprimem constantemente".


"In Nomine Dei" e "Ensaio sobre a Cegueira" são títulos que a Editorial Caminho vai reimprimir de imediato, não porque sejam obras com aumento de procura, mas porque são títulos dos quais a editora tinha menores reservas em armazém, acrescentou Zeferino Coelho.


O responsável editorial da Caminho - editora do grupo LeYa - disse ainda que continuam a chegar à editora muitas mensagens de pesar pela morte de José Saramago.


"Como as pessoas não sabem para quem mandar as mensagens, acabam por fazê-lo para a editora", sublinhou.


José Saramago, 87 anos, morreu na sexta-feira ao início da tarde na sua residência em Tías, na ilha de Lanzarote (Canárias), após doença prolongada.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Várias centenas de pessoas no cemitério do Alto de São João



Várias centenas de pessoas estiveram esta tarde no cemitério do Alto de São João para a despedida a José Saramago. No último adeus ao escritor, a sua mulher, Pilar del Río, fez ainda um pequeno discurso dirigido à família antes da cremação do corpo de Saramago.


O caixão com o corpo de José Saramago deixou pelas 12h35 a Câmara Municipal de Lisboa com destino ao cemitério. Depois de uma emocionada cerimónia de homenagem ao escritor no Salão Nobre, a urna coberta com a bandeira nacional foi colocada na viatura que a transportou até àquele ao crematório de Lisboa.

No cemitério, o corredor que dá acesso ao local da cremação estava totalmente preenchido por personalidades e centenas de anónimos, que gritavam “Saramago: a luta continua” e “O povo está contigo, Saramago amigo”, enquanto alguns empunhavam livros do autor.

A eurodeputada Edite Estrela lembrou a dívida que tem a Saramago por ele “ ter sido um embaixador extraordinário da língua e cultura portuguesas”.

Pelas 13h10, a urna com o corpo do Prémio Nobel da Literatura entrou, carregada em ombros, no Alto de São João. Entre fortes aplausos, muitos dos presentes atiraram cravos vermelhos ao caixão.

A urna foi depois colocada na sala que dá acesso ao crematório, e aí, apenas na presença de familiares e de amigos mais próximos, a mulher do escritor, Pilar del Río, fez um pequeno discurso de despedida a Saramago. Nessas palavras, contou uma história que aconteceu com Jorge Amado, escritor brasileiro, e através dela lembrou Saramago. Procedeu-se depois à cremação dos restos mortais do escritor.

As pessoas que estiveram no Alto de São João abandonaram lentamente o cemitério, ficando apenas a famílias, amigos e jornalistas. Da família de Saramago, a filha, Violante, foi a última a sair.

As cinzas do escritor vão ficar em Lisboa, confirmou esta manhã, na cerimónia de homenagem ao escritor nos Paços do Concelho, o presidente da câmara municipal, António Costa. O local exacto onde serão depositadas é ainda desconhecido. Zeferino Coelho, editor de José Saramago, voltou hoje a afirmar que a decisão funeral caberá a Pilar.

As cinzas poderão ser entregues à família duas horas após a cremação, mas a Servilusa, empresa funerária, disse desconhecer os planos dos familiares do escritor.


Cerimónia de homenagem ao escritor


Cinzas de Saramago vão ficar em Lisboa


As cinzas do corpo de José Saramago vão ficar em Lisboa. A confirmação chegou durante o discurso do presidente da câmara municipal, António Costa, na cerimónia de homenagem ao escritor que decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho, onde estiveram presentes a família, amigos e algumas das principais personalidades dos mundos da cultura e política nacionais.


Até à hora da saída do caixão com o corpo do escritor do Salão Nobre da câmara de Lisboa, prevista para as 12h, houve lugar aos discursos do presidente da autarquia, António Costa, do representante da Fundação José Saramago, Carlos Reis, do líder do PCP, Jerónimo de Sousa, da vice-presidente do Governo espanhol, María Teresa Fernández de la Vega, e da ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas.

Presentes na cerimónia estiveram o primeiro-ministro, José Sócrates, os ex-presidentes da República Ramalho Eanes e Mário Soares, que ontem chegou a defender que as cinzas de Saramago fossem depositadas no Panteão Nacional, o antigo líder do PCP Carlos Carvalhas, o vice-presidente da Assembleia da República Guilherme Silva, o secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, o presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d’Oliveira Martins, em representação do presidente da Assembleia da República, a ministra da Educação, Isabel Alçada, o ministro da Ciência, Mariano Gago, o ensaísta Eduardo Lourenço, o, poeta Nuno Júdice, e o editor Zeferino Coelho, entre outros.

António Costa abriu a cerimónia com um curto discurso de agradecimento a Saramago pelo seu contributo à cidade de Lisboa e à cultura do país. “Saramago regressa à cidade onde trabalhou, onde escreveu, onde presidiu à assembleia municipal de Lisboa e onde criou a fundação a que deu o seu nome e que ficará instalada, como era seu desejo, na Casa dos Bicos”. “Lisboa foi um dos personagens a que dedicou mais amor em toda a sua obra”, sublinhou, acrescentando que “as cinzas de José Saramago descansarão na cidade de Lisboa, mas a sua obra é uma obra que é património de toda a humanidade e a sua mensagem, o seu desassossego, continuarão a desinquietar-nos e a desinquietar todos aqueles que lerem a sua obra”. “Obrigado, José Saramago”, terminou o presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

Também o líder do PCP deixou algumas palavras de homenagem a Saramago e expressou, em nome de “muitos milhares de camaradas” de partido, um “sentimento de perda” pela morte do “camarada José Saramago”. “Deixou-nos de luto, a nós e ao povo português, em particular ao povo trabalhador, de onde veio, a quem amou e foi fiel”, disse. “Usando e desenvolvendo a sua obra para fazer humanos todos os sentidos do homem, pela sua vida perpassa o ideal de um protagonista de Abril, que encontrou no seu partido, no Partido Comunista Português, que quis ser seu até ao fim da sua vida, um ideal mais avançado”, acrescentou.

Perto de 300 pessoas assistiram à cerimónia de homenagem a Saramago através de um ecrã gigante colocado na Praça do Município, onde acompanharam os discursos proferidos no interior do Salão Nobre.

"Saramago fez soar as cordas da alma"

No seu discurso, a vice-presidente do Governo espanhol, María Teresa Fernández de la Vega, proferiu uma das frases mais emotivas dos discursos de homenagem ao Nobel da Literatura: "Saramago fez soar as cordas da alma".

“Todos nos sentimos órfãos da sua figura tão querida e das suas palavras tão confortantes, órfãos de quem tantas vezes foi a nossa voz, a voz mais humana e mais digna”, disse a responsável. María Teresa de la Vega descreveu Saramago como “uma dessas poucas pessoas que sabem recordar-nos que podemos e devemos ter grandes sonhos, tão grandes que nunca os percamos de vista”.

“E ele sonhou. Sonhou com uma terra livre - livre de opressão, de miséria e de perseguição. Sonhou com um mundo em que os fortes eram mais justos e os justos eram mais fortes - um pouco mais fortes a cada dia”, acrescentou. “E ofereceu-nos os seus sonhos em páginas cheias de ideias, ilusões de vida, que passaram a fazer parte dos nossos tesouros mais queridos, que nos demonstraram que a vida dos livros, quando são escritos com a pureza com que o fazia José Saramago, pode ser tão intensa como a real”, prosseguiu.

No final do seu discurso, a vice-presidente do Governo espanhol declarou: “Nunca esqueceremos o escritor, o esposo, querida Pilar, o intelectual, o companheiro e amigo. A sua memória é parte da nossa memória, porque a sua vida é uma parte muito querida da nossa vida”.

Seguiu-se a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, que lembrou que Saramago “não tinha fé em Deus, mas se Ele existe, certamente Deus teve fé nele”.

Perto do meio-dia, foram interpretadas duas peças clássicas pela violoncelista Irene Lima, que envergou um vestido comprido vermelho em organza que Pilar del Río usou em 1998 na entrega do Nobel da Literatura a Saramago, que na bainha tinha bordado um verso do escrito.

Durante os discursos, a mulher de Saramago, Pilar del Río, a filha do escritor Violante e os seus filhos, mostraram-se emocionados e agradecidos pelas palavras ditas em homenagem a Saramago.

Terminada a cerimónia, a maioria das personalidades presentes dirigiram-se a Pilar del Río para lhe prestar pessoalmente as suas condolências.

No exterior do edifício da autarquia, ouviram-se palmas quando Jerónimo de Sousa abandonou o Salão Nobre e se começaram os preparativos para retirar a urna com o corpo de Saramago e a transportar para a viatura que a levará até ao cemitério do Alto de São João, onde serão cremados os restos mortais do escritor.

O professor de matemática, Ricardo Dias, uma das pessoas presentes na Praça do Município, veio de bicicleta. Lamentou que a praça não estivesse toda cheia. "Saramago é uma referência nacional, na literatura, pelo prémio Nobel, pela sua obra”. Já a arquitecta Isabel Labaredas, esteve no velório ontem quando depositou uma rosa branca junto ao corpo do escritor e voltou hoje para acompanhar os discursos na Praça. “Admiro Saramago. Os livros dele". E concluiu: "Cada um tem sua relação com o escritor e se calhar a maior homenagem que podemos fazer é continuar a lê-lo".

Antes da saída do caixão, Pilar del Río, acompanhada por Violante, surgiu à varanda dos Paços do Concelho para se despedir e agradecer às pessoas que se encontravam na Praça do Município, recebendo de volta um forte aplauso.

Quando a urna foi colocada na viatura que a transportou até ao cemitério do Alto de São João, ouviram-se novos aplausos das personalidades da cultura e política e anónimos, entre a frase “Obrigado, Saramago”, gritada por muitos dos presentes.

domingo, 20 de junho de 2010

Um adeus português ao escritor universal


José Saramago 1922-2010

Corpo do escritor chegou ontem a Portugal. Funeral é hoje, em Lisboa

Milhares de pessoas passaram ontem, desde o início da tarde, pelo Salão Nobre dos Paços do Concelho de Lisboa para uma derradeira homenagem ao escritor José Saramago, falecido anteontem, na ilha espanhola de Lanzarote. O funeral realiza-se hoje às 12 horas.
Anónimos e figuras públicas associaram-se à manifestação de pesar pelo desaparecimento físico do mais laureado escritor português contemporâneo. Primeiro, a conta-gotas e, ao fim de alguns minutos, com a chegada de um número crescente de pessoas, a fila não tardou a chegar à Praça do Município. A espera, essa, prolongou-se por longos minutos.
Além de familiares e amigos próximos, compareceram ao acto figuras das letras como Eduardo Lourenço, Manuel Gusmão e Gonçalo M. Tavares, mas também políticos de longa data (Jorge Sampaio, Diogo Freitas do Amaral e representantes dos principais partidos (como o primeiro-ministro, José Sócrates, Jerónimo Sousa e Francisco Louçã).
A ausência do presidente da República, Cavaco Silva, da cerimónia não passou despercebida aos presentes, mas, nas declarações aos jornalistas, ninguém criticou o chefe de Estado. Marcelo Rebelo de Sousa optou por desvalorizá-la, afirmando que "é mais importante a presença espiritual de Cavaco Silva do que a presença física", enquanto o antigo presidente da República Mário Soares observou que "a melhor homenagem é a que o povo português lhe está a prestar"
O cortejo fúnebre parte hoje, às 12 horas, rumo ao cemitério do Alto de S. João, em Lisboa onde será feita a cremação, conforme desejo expresso do autor de "Levantado do chão".
Vaticano critica escritor
O coro de homenagens ao escritor natural da Azinhaga percorreu Mundo, numa demonstração adicional do prestígio e da popularidade da sua obra, mas houve pelo menos uma excepção aos elogios rasgados: ontem mesmo, o diário oficial do Vaticano, "L'Osservatore Romano", publicou um violento artigo em que definia o escritor português como "populista e extremista" de uma ideologia antirreligiosa e marxista.
No texto, que reflecte a tensão existente há longos anos entre o romancista e os meios eclesiásticos, o articulista, Claudio Toscani, critica de forma áspera "o homem e o intelectual de nenhuma admissão metafísica, ancorado até ao final numa confiança arbitrária no materialismo histórico, aliás, marxismo".
SÉRGIO ALMEIDA

sábado, 19 de junho de 2010


O caixão com os restos mortais de José Saramago saiu hoje, entre aplausos de muitos anónimos, da câmara ardente instalada na Biblioteca com o nome do escritor para a sua transferência para o Aeroporto de Lanzarote de onde viaja para Lisboa.

O féretro saiu da câmara ardente às 09:28, hora local (mesma hora em Lisboa), carregado pela viúva do escritor, Pilar de Rio, o seu cunhado, Javier Pérez, o filho de Pilar de Rio e a sua mulher, o presidente da Fundação César Manrique, José Juan Ramírez e a sua mulher e o biografo do escritor, Fernando Gómez Aguillera.



Cerca de 50 pessoas acompanharam a curta viagem entre a câmara ardente -- visitada por mais de mil pessoas -- e o carro fúnebre.



O avião com os restos mortais de José Saramago, um C130 da Força Aérea Portuguesa, partiu às 10:25 locais (mesma hora em Portugal) do aeroporto de Lanzarote, no arquipélago espanhol das Canárias com destino a Lisboa.



A bordo viajam, entre outros, a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, a viúva do escritor, Pilar del Rio; Maria e Miguel del Rio, irmãos da viúva; Juan José, filho de Pilar del Rio, seis amigos pessoais e o biógrafo do escritor, Fernando Gómez Aguilera.


Morreu José Saramago


O prémio Nobel da Literatura, José Saramago, faleceu aos 87 anos. O escritor, laureado com o Nobel em 1998, sofria de graves problemas respiratórios. "Caim" foi o último livro de Saramago a ser lançado.


Aos 87 anos, José Saramago faleceu na sua casa em Lanzarote. A câmara ardente com os restos mortais de José Saramago será instalada às 17:00 desta sexta-feira, hora de Lisboa, na Biblioteca José Saramago na localidade de Tías, na ilha espanhola Lanzarote.


A informação foi confirmada aos muitos jornalistas que estavam no exterior da casa de Saramago, nesta localidade, onde se deslocaram já, entre outros, o biógrafo do escritor, José Juan Cruz e o escritor Fernando Gómez Aguilera, director da Fundação César Manrique.


José Saramago vai ser cremado e as cinzas vão ficar em Portugal.


O site da Fundação José Saramago deu lugar a uma única página, com a mensagem:


"Hoje, sexta-feira, 18 de Junho, José Saramago faleceu às 12.30 horas na sua residência de Lanzarote, aos 87 anos de idade, em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença. O escritor morreu estando acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila."


O Nobel de Literatura 1998 sofreu uma grave pneumonia no final de 2007 e início de 2008, depois da qual ainda escreveu dois romances, "A viagem do Elefante" e "Caim". Estava agora a escrever um romance sobre tráfico de armas que fica agora inacabado.


Saramago vivia desde 1993 na ilha de Lanzarote, no arquipélago espanhol das Canárias, com a sua esposa e tradutora, a espanhola Pilar del Río.


O escritor faleceu depois de passar uma noite tranquila, segundo a imprensa espanhola, que cita fontes familiares.


Segundo o site do El Mundo, o escritor padecia de "uma leucemia crónica". O jornal, que indica como fonte a família do escritor, diz que José Saramago "tinha passado uma noite tranquila. Depois de tomar o pequeno-almoço, normalmente, e de ter conversado com a mulher, começou a sentir-se mal e pouco depois faleceu".


Nos últimos anos, foi hospitalizado em várias ocasiões, principalmente devido a problemas respiratórios.


Biografia


José Saramago nasceu na aldeia ribatejana de Azinhaga, concelho de Golegã, no dia 16 de Novembro de 1922, embora o registo oficial mencione o dia 18.


Os seus pais emigraram para Lisboa quando ele ainda não tinha três anos de idade. Toda a sua vida tem decorrido na capital, embora até ao princípio da idade madura tivessem sido numerosas e às vezes prolongadas as suas estadas na aldeia natal.


Fez estudos secundários (liceal e técnico) que não pôde continuar por dificuldades económicas. No seu primeiro emprego foi serralheiro mecânico, tendo depois exercido diversas outras profissões, a saber: desenhador, funcionário da saúde e da previdência social, editor, tradutor, jornalista.


Publicou o seu primeiro livro, um romance ("Terra do Pecado"), em 1947, tendo estado depois sem publicar até 1966. Trabalhou durante doze anos numa editora, onde exerceu funções de direcção literária e de produção. Colaborou como crítico literário na Revista "Seara Nova".


Em 1972 e 1973 fez parte da redacção do Jornal "Diário de Lisboa" onde foi comentador político, tendo também coordenado, durante alguns meses, o suplemento cultural daquele vespertino. Pertenceu à primeira Direcção da Associação Portuguesa de Escritores. Entre Abril e Novembro de 1975 foi director-adjunto do "Diário de Notícias". Desde 1976 vivia exclusivamente do seu trabalho literário.