Catálogo da BE

terça-feira, 22 de junho de 2010

Lei deixa que cinzas de Saramago fiquem num jardim público.


Ainda não está decidido o local, mas as cinzas de José Saramago devem ficar num jardim em Lisboa, debaixo de uma pedra, um lugar público onde as pessoas possam passar e deixar uma flor. Esta era a vontade do autor de "O Memorial de Convento". Pilar del Río, que está à frente da Fundação Saramago, está a dar seguimento ao desejo manifestado pelo marido.

Já foi estudada a regulamentação e é possível cumprir este desejo de José Saramago desde que esteja salvaguardada a inviolabilidade do local. A decisão só será anunciada publicamente quando tudo estiver pronto.
Ainda não está decidido qual será o local escolhido, mas várias hipóteses têm sido pensadas (entre elas o jardim do Alto de Santa Catarina ou o jardim em frente à Casa dos Bicos, que é a sede da Fundação José Saramago, ou qualquer sítio que remeta para a sua obra).
No Decreto-Lei n.º 411, de 1998, lê-se que "as cinzas resultantes da cremação podem (...) ser entregues dentro de recipiente apropriado a quem tiver requerido a cremação, sendo livre o seu destino final".
Ângelo Mesquita, director municipal do Ambiente Urbano, disse ao PÚBLICO que, "se as cinzas forem depositadas no espaço público, a Câmara Municipal de Lisboa tem de aprovar esse acto". No entanto, o director não vê que exista qualquer óbice a essa autorização.
Por sua vez, José Sá Fernandes, o vereador dos Espaços Verdes, questionado sobre se será num jardim ou noutro local, respondeu: "Não sei, o assunto ainda está a ser analisado." Durante os últimos dias tem-se especulado na comunicação social portuguesa e internacional se as cinzas ficariam em Portugal ou se em Portugal e em Espanha. Desde o dia da morte de José Saramago que o PÚBLICO tem noticiado que os restos mortais do Nobel ficariam em Portugal. Anteontem, durante o discurso que o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, fez na cerimónia de homenagem que decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho, em Lisboa, disse peremptoriamente: "As cinzas de José Saramago descansarão na cidade de Lisboa."
A edição de ontem do jornal Diário de Notícias avançava com a notícia de que a vontade do escritor era que as suas cinzas ficassem num jardim, onde se colocaria uma pedra com o seu nome para que os leitores pudessem "lá ir pôr uma flor de vez em quando".
Não terá sido por acaso que José Saramago pensou num jardim. É uma decisão íntima, não se pode especular sobre ela e Pilar del Río ainda não veio a público explicar a decisão. O que é interessante nesta escolha é que o jardim é um espaço de regeneração. A especialista em jardins históricos Aurora Carapinha lembra que dentro da cidade o jardim é "o espaço de renovação". O jardim "é terra, é coisa natural" e "pode-se sempre renascer". Além de ser "um espaço onde as pessoas vão à procura de silêncio e de quietação." É um espaço de intimidade e ao mesmo tempo de sociabilidade (de desinquietação).


Saramago: Venda de livros aumenta quase dez vezes.



As vendas dos livros de José Saramago aumentaram quase dez vezes nos dias seguintes à morte do escritor, disseram hoje fontes de duas grandes cadeias de livrarias em Portugal.


Durante o fim-de-semana a Fnac teve um aumento de 800% na venda de livros do escritor, disse o director de marketing e comunicação da empresa, Viriato Filipe.


"Caim", "A Viagem do Elefante" e "Memorial do Convento" foram os títulos que registaram maior aumento de vendas, seguidos de outras obras, embora com aumentos de vendas menos significativos, acrescentou.


Já nas livrarias da Bertrand Editora, o aumento de vendas de livros de Saramago registado este fim-de-semana foi dez vezes superior ao ocorrido no fim-de-semana anterior à morte do escritor, disse a responsável de marketing da editora.


Marta Serra acrescentou que no fim-de-semana após a morte do escritor, as livrarias da Bertrand venderam 1 000 livros de Saramago contra os 100 do fim-de-semana anterior.


"Caim" (300 exemplares), "Memorial do Convento" (200 exemplares" e "A Viagem do Elefante" (150 exemplares) foram os títulos mais vendidos pela Bertrand após a morte do Nobel da Literatura.


Zeferino Coelho, responsável pela Editorial Caminho, editora de Saramago, corroborou o aumento da procura de obras do escritor nos dias seguintes ao seu falecimento.


Questionado sobre se a editora irá fazer reedições de obras do Nobel da Literatura, Zeferino Coelho disse que as obras de Saramago "se reimprimem constantemente".


"In Nomine Dei" e "Ensaio sobre a Cegueira" são títulos que a Editorial Caminho vai reimprimir de imediato, não porque sejam obras com aumento de procura, mas porque são títulos dos quais a editora tinha menores reservas em armazém, acrescentou Zeferino Coelho.


O responsável editorial da Caminho - editora do grupo LeYa - disse ainda que continuam a chegar à editora muitas mensagens de pesar pela morte de José Saramago.


"Como as pessoas não sabem para quem mandar as mensagens, acabam por fazê-lo para a editora", sublinhou.


José Saramago, 87 anos, morreu na sexta-feira ao início da tarde na sua residência em Tías, na ilha de Lanzarote (Canárias), após doença prolongada.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Várias centenas de pessoas no cemitério do Alto de São João



Várias centenas de pessoas estiveram esta tarde no cemitério do Alto de São João para a despedida a José Saramago. No último adeus ao escritor, a sua mulher, Pilar del Río, fez ainda um pequeno discurso dirigido à família antes da cremação do corpo de Saramago.


O caixão com o corpo de José Saramago deixou pelas 12h35 a Câmara Municipal de Lisboa com destino ao cemitério. Depois de uma emocionada cerimónia de homenagem ao escritor no Salão Nobre, a urna coberta com a bandeira nacional foi colocada na viatura que a transportou até àquele ao crematório de Lisboa.

No cemitério, o corredor que dá acesso ao local da cremação estava totalmente preenchido por personalidades e centenas de anónimos, que gritavam “Saramago: a luta continua” e “O povo está contigo, Saramago amigo”, enquanto alguns empunhavam livros do autor.

A eurodeputada Edite Estrela lembrou a dívida que tem a Saramago por ele “ ter sido um embaixador extraordinário da língua e cultura portuguesas”.

Pelas 13h10, a urna com o corpo do Prémio Nobel da Literatura entrou, carregada em ombros, no Alto de São João. Entre fortes aplausos, muitos dos presentes atiraram cravos vermelhos ao caixão.

A urna foi depois colocada na sala que dá acesso ao crematório, e aí, apenas na presença de familiares e de amigos mais próximos, a mulher do escritor, Pilar del Río, fez um pequeno discurso de despedida a Saramago. Nessas palavras, contou uma história que aconteceu com Jorge Amado, escritor brasileiro, e através dela lembrou Saramago. Procedeu-se depois à cremação dos restos mortais do escritor.

As pessoas que estiveram no Alto de São João abandonaram lentamente o cemitério, ficando apenas a famílias, amigos e jornalistas. Da família de Saramago, a filha, Violante, foi a última a sair.

As cinzas do escritor vão ficar em Lisboa, confirmou esta manhã, na cerimónia de homenagem ao escritor nos Paços do Concelho, o presidente da câmara municipal, António Costa. O local exacto onde serão depositadas é ainda desconhecido. Zeferino Coelho, editor de José Saramago, voltou hoje a afirmar que a decisão funeral caberá a Pilar.

As cinzas poderão ser entregues à família duas horas após a cremação, mas a Servilusa, empresa funerária, disse desconhecer os planos dos familiares do escritor.


Cerimónia de homenagem ao escritor


Cinzas de Saramago vão ficar em Lisboa


As cinzas do corpo de José Saramago vão ficar em Lisboa. A confirmação chegou durante o discurso do presidente da câmara municipal, António Costa, na cerimónia de homenagem ao escritor que decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho, onde estiveram presentes a família, amigos e algumas das principais personalidades dos mundos da cultura e política nacionais.


Até à hora da saída do caixão com o corpo do escritor do Salão Nobre da câmara de Lisboa, prevista para as 12h, houve lugar aos discursos do presidente da autarquia, António Costa, do representante da Fundação José Saramago, Carlos Reis, do líder do PCP, Jerónimo de Sousa, da vice-presidente do Governo espanhol, María Teresa Fernández de la Vega, e da ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas.

Presentes na cerimónia estiveram o primeiro-ministro, José Sócrates, os ex-presidentes da República Ramalho Eanes e Mário Soares, que ontem chegou a defender que as cinzas de Saramago fossem depositadas no Panteão Nacional, o antigo líder do PCP Carlos Carvalhas, o vice-presidente da Assembleia da República Guilherme Silva, o secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, o presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d’Oliveira Martins, em representação do presidente da Assembleia da República, a ministra da Educação, Isabel Alçada, o ministro da Ciência, Mariano Gago, o ensaísta Eduardo Lourenço, o, poeta Nuno Júdice, e o editor Zeferino Coelho, entre outros.

António Costa abriu a cerimónia com um curto discurso de agradecimento a Saramago pelo seu contributo à cidade de Lisboa e à cultura do país. “Saramago regressa à cidade onde trabalhou, onde escreveu, onde presidiu à assembleia municipal de Lisboa e onde criou a fundação a que deu o seu nome e que ficará instalada, como era seu desejo, na Casa dos Bicos”. “Lisboa foi um dos personagens a que dedicou mais amor em toda a sua obra”, sublinhou, acrescentando que “as cinzas de José Saramago descansarão na cidade de Lisboa, mas a sua obra é uma obra que é património de toda a humanidade e a sua mensagem, o seu desassossego, continuarão a desinquietar-nos e a desinquietar todos aqueles que lerem a sua obra”. “Obrigado, José Saramago”, terminou o presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

Também o líder do PCP deixou algumas palavras de homenagem a Saramago e expressou, em nome de “muitos milhares de camaradas” de partido, um “sentimento de perda” pela morte do “camarada José Saramago”. “Deixou-nos de luto, a nós e ao povo português, em particular ao povo trabalhador, de onde veio, a quem amou e foi fiel”, disse. “Usando e desenvolvendo a sua obra para fazer humanos todos os sentidos do homem, pela sua vida perpassa o ideal de um protagonista de Abril, que encontrou no seu partido, no Partido Comunista Português, que quis ser seu até ao fim da sua vida, um ideal mais avançado”, acrescentou.

Perto de 300 pessoas assistiram à cerimónia de homenagem a Saramago através de um ecrã gigante colocado na Praça do Município, onde acompanharam os discursos proferidos no interior do Salão Nobre.

"Saramago fez soar as cordas da alma"

No seu discurso, a vice-presidente do Governo espanhol, María Teresa Fernández de la Vega, proferiu uma das frases mais emotivas dos discursos de homenagem ao Nobel da Literatura: "Saramago fez soar as cordas da alma".

“Todos nos sentimos órfãos da sua figura tão querida e das suas palavras tão confortantes, órfãos de quem tantas vezes foi a nossa voz, a voz mais humana e mais digna”, disse a responsável. María Teresa de la Vega descreveu Saramago como “uma dessas poucas pessoas que sabem recordar-nos que podemos e devemos ter grandes sonhos, tão grandes que nunca os percamos de vista”.

“E ele sonhou. Sonhou com uma terra livre - livre de opressão, de miséria e de perseguição. Sonhou com um mundo em que os fortes eram mais justos e os justos eram mais fortes - um pouco mais fortes a cada dia”, acrescentou. “E ofereceu-nos os seus sonhos em páginas cheias de ideias, ilusões de vida, que passaram a fazer parte dos nossos tesouros mais queridos, que nos demonstraram que a vida dos livros, quando são escritos com a pureza com que o fazia José Saramago, pode ser tão intensa como a real”, prosseguiu.

No final do seu discurso, a vice-presidente do Governo espanhol declarou: “Nunca esqueceremos o escritor, o esposo, querida Pilar, o intelectual, o companheiro e amigo. A sua memória é parte da nossa memória, porque a sua vida é uma parte muito querida da nossa vida”.

Seguiu-se a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, que lembrou que Saramago “não tinha fé em Deus, mas se Ele existe, certamente Deus teve fé nele”.

Perto do meio-dia, foram interpretadas duas peças clássicas pela violoncelista Irene Lima, que envergou um vestido comprido vermelho em organza que Pilar del Río usou em 1998 na entrega do Nobel da Literatura a Saramago, que na bainha tinha bordado um verso do escrito.

Durante os discursos, a mulher de Saramago, Pilar del Río, a filha do escritor Violante e os seus filhos, mostraram-se emocionados e agradecidos pelas palavras ditas em homenagem a Saramago.

Terminada a cerimónia, a maioria das personalidades presentes dirigiram-se a Pilar del Río para lhe prestar pessoalmente as suas condolências.

No exterior do edifício da autarquia, ouviram-se palmas quando Jerónimo de Sousa abandonou o Salão Nobre e se começaram os preparativos para retirar a urna com o corpo de Saramago e a transportar para a viatura que a levará até ao cemitério do Alto de São João, onde serão cremados os restos mortais do escritor.

O professor de matemática, Ricardo Dias, uma das pessoas presentes na Praça do Município, veio de bicicleta. Lamentou que a praça não estivesse toda cheia. "Saramago é uma referência nacional, na literatura, pelo prémio Nobel, pela sua obra”. Já a arquitecta Isabel Labaredas, esteve no velório ontem quando depositou uma rosa branca junto ao corpo do escritor e voltou hoje para acompanhar os discursos na Praça. “Admiro Saramago. Os livros dele". E concluiu: "Cada um tem sua relação com o escritor e se calhar a maior homenagem que podemos fazer é continuar a lê-lo".

Antes da saída do caixão, Pilar del Río, acompanhada por Violante, surgiu à varanda dos Paços do Concelho para se despedir e agradecer às pessoas que se encontravam na Praça do Município, recebendo de volta um forte aplauso.

Quando a urna foi colocada na viatura que a transportou até ao cemitério do Alto de São João, ouviram-se novos aplausos das personalidades da cultura e política e anónimos, entre a frase “Obrigado, Saramago”, gritada por muitos dos presentes.

domingo, 20 de junho de 2010

Um adeus português ao escritor universal


José Saramago 1922-2010

Corpo do escritor chegou ontem a Portugal. Funeral é hoje, em Lisboa

Milhares de pessoas passaram ontem, desde o início da tarde, pelo Salão Nobre dos Paços do Concelho de Lisboa para uma derradeira homenagem ao escritor José Saramago, falecido anteontem, na ilha espanhola de Lanzarote. O funeral realiza-se hoje às 12 horas.
Anónimos e figuras públicas associaram-se à manifestação de pesar pelo desaparecimento físico do mais laureado escritor português contemporâneo. Primeiro, a conta-gotas e, ao fim de alguns minutos, com a chegada de um número crescente de pessoas, a fila não tardou a chegar à Praça do Município. A espera, essa, prolongou-se por longos minutos.
Além de familiares e amigos próximos, compareceram ao acto figuras das letras como Eduardo Lourenço, Manuel Gusmão e Gonçalo M. Tavares, mas também políticos de longa data (Jorge Sampaio, Diogo Freitas do Amaral e representantes dos principais partidos (como o primeiro-ministro, José Sócrates, Jerónimo Sousa e Francisco Louçã).
A ausência do presidente da República, Cavaco Silva, da cerimónia não passou despercebida aos presentes, mas, nas declarações aos jornalistas, ninguém criticou o chefe de Estado. Marcelo Rebelo de Sousa optou por desvalorizá-la, afirmando que "é mais importante a presença espiritual de Cavaco Silva do que a presença física", enquanto o antigo presidente da República Mário Soares observou que "a melhor homenagem é a que o povo português lhe está a prestar"
O cortejo fúnebre parte hoje, às 12 horas, rumo ao cemitério do Alto de S. João, em Lisboa onde será feita a cremação, conforme desejo expresso do autor de "Levantado do chão".
Vaticano critica escritor
O coro de homenagens ao escritor natural da Azinhaga percorreu Mundo, numa demonstração adicional do prestígio e da popularidade da sua obra, mas houve pelo menos uma excepção aos elogios rasgados: ontem mesmo, o diário oficial do Vaticano, "L'Osservatore Romano", publicou um violento artigo em que definia o escritor português como "populista e extremista" de uma ideologia antirreligiosa e marxista.
No texto, que reflecte a tensão existente há longos anos entre o romancista e os meios eclesiásticos, o articulista, Claudio Toscani, critica de forma áspera "o homem e o intelectual de nenhuma admissão metafísica, ancorado até ao final numa confiança arbitrária no materialismo histórico, aliás, marxismo".
SÉRGIO ALMEIDA

sábado, 19 de junho de 2010


O caixão com os restos mortais de José Saramago saiu hoje, entre aplausos de muitos anónimos, da câmara ardente instalada na Biblioteca com o nome do escritor para a sua transferência para o Aeroporto de Lanzarote de onde viaja para Lisboa.

O féretro saiu da câmara ardente às 09:28, hora local (mesma hora em Lisboa), carregado pela viúva do escritor, Pilar de Rio, o seu cunhado, Javier Pérez, o filho de Pilar de Rio e a sua mulher, o presidente da Fundação César Manrique, José Juan Ramírez e a sua mulher e o biografo do escritor, Fernando Gómez Aguillera.



Cerca de 50 pessoas acompanharam a curta viagem entre a câmara ardente -- visitada por mais de mil pessoas -- e o carro fúnebre.



O avião com os restos mortais de José Saramago, um C130 da Força Aérea Portuguesa, partiu às 10:25 locais (mesma hora em Portugal) do aeroporto de Lanzarote, no arquipélago espanhol das Canárias com destino a Lisboa.



A bordo viajam, entre outros, a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, a viúva do escritor, Pilar del Rio; Maria e Miguel del Rio, irmãos da viúva; Juan José, filho de Pilar del Rio, seis amigos pessoais e o biógrafo do escritor, Fernando Gómez Aguilera.


Morreu José Saramago


O prémio Nobel da Literatura, José Saramago, faleceu aos 87 anos. O escritor, laureado com o Nobel em 1998, sofria de graves problemas respiratórios. "Caim" foi o último livro de Saramago a ser lançado.


Aos 87 anos, José Saramago faleceu na sua casa em Lanzarote. A câmara ardente com os restos mortais de José Saramago será instalada às 17:00 desta sexta-feira, hora de Lisboa, na Biblioteca José Saramago na localidade de Tías, na ilha espanhola Lanzarote.


A informação foi confirmada aos muitos jornalistas que estavam no exterior da casa de Saramago, nesta localidade, onde se deslocaram já, entre outros, o biógrafo do escritor, José Juan Cruz e o escritor Fernando Gómez Aguilera, director da Fundação César Manrique.


José Saramago vai ser cremado e as cinzas vão ficar em Portugal.


O site da Fundação José Saramago deu lugar a uma única página, com a mensagem:


"Hoje, sexta-feira, 18 de Junho, José Saramago faleceu às 12.30 horas na sua residência de Lanzarote, aos 87 anos de idade, em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença. O escritor morreu estando acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila."


O Nobel de Literatura 1998 sofreu uma grave pneumonia no final de 2007 e início de 2008, depois da qual ainda escreveu dois romances, "A viagem do Elefante" e "Caim". Estava agora a escrever um romance sobre tráfico de armas que fica agora inacabado.


Saramago vivia desde 1993 na ilha de Lanzarote, no arquipélago espanhol das Canárias, com a sua esposa e tradutora, a espanhola Pilar del Río.


O escritor faleceu depois de passar uma noite tranquila, segundo a imprensa espanhola, que cita fontes familiares.


Segundo o site do El Mundo, o escritor padecia de "uma leucemia crónica". O jornal, que indica como fonte a família do escritor, diz que José Saramago "tinha passado uma noite tranquila. Depois de tomar o pequeno-almoço, normalmente, e de ter conversado com a mulher, começou a sentir-se mal e pouco depois faleceu".


Nos últimos anos, foi hospitalizado em várias ocasiões, principalmente devido a problemas respiratórios.


Biografia


José Saramago nasceu na aldeia ribatejana de Azinhaga, concelho de Golegã, no dia 16 de Novembro de 1922, embora o registo oficial mencione o dia 18.


Os seus pais emigraram para Lisboa quando ele ainda não tinha três anos de idade. Toda a sua vida tem decorrido na capital, embora até ao princípio da idade madura tivessem sido numerosas e às vezes prolongadas as suas estadas na aldeia natal.


Fez estudos secundários (liceal e técnico) que não pôde continuar por dificuldades económicas. No seu primeiro emprego foi serralheiro mecânico, tendo depois exercido diversas outras profissões, a saber: desenhador, funcionário da saúde e da previdência social, editor, tradutor, jornalista.


Publicou o seu primeiro livro, um romance ("Terra do Pecado"), em 1947, tendo estado depois sem publicar até 1966. Trabalhou durante doze anos numa editora, onde exerceu funções de direcção literária e de produção. Colaborou como crítico literário na Revista "Seara Nova".


Em 1972 e 1973 fez parte da redacção do Jornal "Diário de Lisboa" onde foi comentador político, tendo também coordenado, durante alguns meses, o suplemento cultural daquele vespertino. Pertenceu à primeira Direcção da Associação Portuguesa de Escritores. Entre Abril e Novembro de 1975 foi director-adjunto do "Diário de Notícias". Desde 1976 vivia exclusivamente do seu trabalho literário.


sábado, 12 de junho de 2010

Um encontro com Mia Couto.



Cartaz da acção"Saboreando as palavras com Mia Couto", a realizar na Biblioteca Municipal de Ponte de Lima no dia 17 de Junho, às 18h. Um encontro com o escritor. Uma conversa. Um convite. Uma oportunidade.


Leitura Serralves




sexta-feira, 11 de junho de 2010

1GOAL: Educação para Todos


Grandes notícias! Este fim-de-semana, o Presidente da África do Sul, Jacob Zuma, anunciou os planos para uma Cimeira Internacional de alto nível que irá ocorrer antes do fim do Campeonato do Mundo de Futebol, no dia 7 de Julho – especificamente para desafiar os líderes mundiais a garantirem uma educação de qualidade para os 72 milhões de crianças que estão fora da escola.


Não podemos perder esta oportunidade espantosa de fazer ouvir as nossas vozes. Por isso, aqui está o plano: Entre agora e a Cimeira, os adeptos de futebol e os apoiantes da Campanha 1GOAL no mundo inteiro irão escrever milhares de mensagens aos líderes mundiais em cartões amarelos especiais. É um aviso universal que eles não poderão ignorar – esse aviso dirá que temos de agir rapidamente, caso contrário será mais uma geração inteira de crianças que irá ver a sua esperança de futuro desaparecer.



Poderá emitir o seu próprio cartão amarelo online. Nós imprimiremos o seu nome e os seus comentários num cartão personalizado. Depois, trabalhando em conjunto com activistas locais da África do Sul, entregá-los-emos directamente aos líderes mundiais quando estes se reunirem para a cimeira da educação no dia 7 de Julho. Juntos, tornaremos bem claro que o objectivo real é uma educação de qualidade para cada uma das crianças.



Por favor clique em baixo para preencher e emitir hoje o seu cartão amarelo:



www.join1goal.org/r/cartaoamarelopt



A FIFA, futebolistas de topo como o Pele e Zidane, líderes mundiais como a Rainha Rania, o Arcebispo Desmond Tutu, super-estrelas globais como Shakira, e milhões de adeptos em todo o mundo juntaram-se para fazer da educação para todos o legado duradouro do Campeonato do Mundo de 2010.



A Educação é a chave para ajudar nações inteiras a sair da pobreza, garantindo que cada rapariga poderá crescer em igualdade, e oferecendo um abanão justo na vida de cada criança. Mas há 72 milhões de crianças em idade escolar em todo o mundo a quem nunca foi permitido entrar numa sala de aula. E 1 em cada 4 mulheres no mundo todo não sabem ler esta mensagem, ou qualquer outra mensagem.



Não tem de ser assim. Investimentos novos relativamente pequenos, combinados com acordos globais sobre como os gastar sabiamente, poderiam facilmente garantir uma educação de qualidade a cada criança.



Se as nossas vozes forem em número suficiente, os nossos líderes irão agir. Mas se ficarmos silenciosos, poderemos perder esta oportunidade histórica.



Este é o nosso grande momento para mostrar aos líderes mundiais que quando se trata de garantir que cada criança tem uma hipótese de aprender, os adeptos de futebol de todos os países estão a apoiar o mesmo lado.



Envie o seu cartão amarelo da educação hoje:



www.join1goal.org/r/cartaoamarelopt



Obrigado por fazer a diferença,



A equipa da Campanha 1GOAL





quinta-feira, 10 de junho de 2010

Exposições no CMIA.

EXPOSIÇÃO TEMÁTICA DO CMIA “BIODIVERSIDADE EM ESPAÇOS NATURAIS DE VIANA DO CASTELO”

Esta é uma exposição produzida pelo Município de Viana do Castelo em parceria som a Sociedade Portuguesa para Vida Selvagem. Apresenta uma breve descrição dos espaços naturais mais marcantes do concelho e sua biodiversidade. Reporta-nos para a importância de reconhecer o valor que cada elemento natural tem no meio ambiente e necessidade da sua protecção. A exposição estará patente no CMIA de Viana do Castelo até dia 16 de Outubro – a entrada é livre. Integrará a partir de Novembro de 2010 o conjunto de exposições itinerantes que o CMIA tem disponível para requisição por qualquer entidade.



EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIAS SOBRE O RIO NEIVA “OLHARES SOBRE O NEIVA”


Olhares dos alunos do 3.º ciclo do ensino básico da Escola de ensino básico e secundário de Barroselas no âmbito da disciplina de Geografia. Apresenta-se assim, no CMIA de Viana do Castelo para o público em geral um conjunto de fotografias de alunos dessa escola sobre o património natural da sua freguesia. A entrada é livre.


ACÇÕES DE SENSIBILIZAÇÃO “BIODIVERSIDADE EM MEIO AQUÁTICO, integrado no Programa Bandeira Azul da Europa

26 de Junho (9H00 – 13H00) - "Sistemas dunares: mais do que montes de areia"

Venha connosco descobrir a flora, os invertebrados e os anfíbios dos sistemas dunares da praia da Amorosa, local onde foi identificada uma nova espécie de aranha, em todo o mundo.

9H00: visita guiada à exposição temática do CMIA “Biodiversidade em espaços naturais de Viana do Castelo”;
9H45: deslocação à praia da Amorosa para actividade prática sobre estudo dos sistemas dunares.

Inscrição obrigatória (participação gratuita). Jovens até aos 18 anos de idade devem ser acompanhados por adultos.


Dinamizado pelo Prof. Pedro Gomes - Sociedade Portuguesa para a Vida Selvagem.

OFICINAS DE VERÃO NO CMIA 2010

OFICINA “Do Sol ao Vento”: de 28 de Junho a 09 de Julho

OFICINA ”Da Terra à Lua”: de 12 de Julho a 23 de Julho

Destinam-se a crianças dos 6 aos 10 anos;
As inscrições são aceites por ordem de chegada a partir das 9H00 do dia 16 de Junho de 2010 por uma das seguintes formas:
· Recepção do CMIA (Rua da Argaçosa – antigas Azenhas de D. Prior das 9H00 às 13H00 e das 14H30 às 18H00);

· Via e-mail: cmia@cm-viana-castelo.pt;

Aceitam-se inscrições até à última 5º feira antecedente ao início de cada oficina;
Cada oficina (10 dias úteis) terá o custo de 55,00€. O valor a pagar inclui: Alimentação; Acompanhamento permanente de monitores; Material e transporte necessário à realização das actividades; Seguro de acidentes pessoais.

No site do CMIA está disponível calendarização, regulamento e ficha de inscrição nas oficinas.

Só aceitamos inscrições com registo de entrada a partir das 9H00 do dia 16 de Junho (via email ou directamente no CMIA).


Leonor Cruz

Morreu o escritor vianense António Manuel Couto Viana

António Manuel Couto Viana nasceu a 24 de Janeiro de 1923, em Viana do Castelo, e morreu a 8 de Junho de 2010, em Lisboa. Foi poeta, contista, dramaturgo, ensaísta, memorialista, e autor de livros para crianças, contando a sua obra com mais de uma centena de títulos, muitos dos quais premiados.

A sua estreia literária deu-se em 1948 com o livro de poemas O Avestruz Lírico, mas já escrevia desde 1943, pelo menos, em jornais locais de Viana, Braga, Valença e Lisboa.

Dirigiu com David Mourão Ferreira e Luís de Macedo as folhas de poesia Távola Redonda, e em 1956-1957, a revista de cultura Graal. Para além disso, fez ainda parte do conselho de redacção da revista Tempo Presente, entre 1959 e 1961.

Interessou-se pelo teatro desde cedo, tendo colaborado como actor, cenógrafo, encenador e empresário em várias companhias. Fez parte da direcção do Teatro de Ensaio, da Companhia Nacional de Teatro, foi director do Teatro do Gerifalto e encenou óperas para o Círculo Portuense de Ópera e Companhia Portuguesa de Ópera.

A sua obra está traduzida em francês, inglês, castelhano, chinês, alemão e russo.

O Município de Viana do Castelo quando da inauguração das novas instalações da Biblioteca Municipal, em Janeiro de 2008, designou a sala polivalente / auditório de Sala Couto Viana homenageando o ilustre escritor vianense António Manuel e, também, seu Pai e Irmãs, igualmente escritores.

António Manuel Couto Viana recebeu condecorações de Portugal e de Espanha.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

CAMPEONATO DE "MAGIC THE GATHERING"


No dia 15 de Junho, terça-feira, realizar-se-á, na BE/CRE, um campeonato do jogo Magic the Gathering, organizodo pelos alunos Álvaro Filipe Costa, n.º 1; Filipe Meira da Costa, n.º 11; Rui Filipe Rodrigues Lima, n.º 16 e Simón Sanches Y Ferreira, n.º 18 (alunos do 7.º E), em colaboração com a BE/CRE. Os alunos interessados podem-se inscrever junto da D. Helena. Participa!

Debate “Os Desafios dos Direitos Humanos na actualidade”


O Grupo Local 24 da Amnistia Internacional promove no dia 11 de Junho, pelas 21.30 horas, na Sala Couto Viana da Biblioteca Pública Municipal de Viana do Castelo, o Debate “Os Desafios dos Direitos Humanos na actualidade”, integrado na iniciativa “Os Dias dos Direitos Humanos em Viana do Castelo”.


O Debate terá como oradores o Dr. Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados e a Dr.ª Ana Gomes, Deputada ao Parlamento Europeu, e será moderado por Armando Borlido, Membro da Direcção Nacional da Amnistia Internacional Portugal.

As novas escolas querem mudar o ensino em Portugal

Uma escola descentrada da sala de aula, em que os alunos se espalham por espaços informais, com os seus computadores portáteis, cruzando-se com os professores na biblioteca e discutindo projectos - é esta a visão que a Parque Escolar tem para o ensino em Portugal.

Para a entidade pública empresarial que até 2015 vai modernizar 332 estabelecimentos de ensino por todo o país, a escola em que os estudantes não podem estar nos corredores durante os intervalos e em que tudo se centra nas salas de aula nas quais professores em cima de estrados "dão a matéria" a alunos sentados em filas de mesas e cadeiras faz já parte do passado.

A modernização das escolas anunciada pelo Governo de José Sócrates não é apenas um projecto em que as velhas escolas, com a pintura a cair e janelas que não fecham, passam a ter um novo rosto. A ideia é aproveitar as obras - e o ano escolar que agora termina foi de esforço para as escolas, obrigadas a trabalhar no meio de máquinas, e poeira - para modernizar também a concepção do ensino.
Para lá das polémicas que têm rodeado o projecto, lançado em 2007, (o sistema de ajuste directo de projectos criou mal-estar entre os arquitectos e levantaram-se dúvidas sobre as intervenções, sobretudo nos liceus históricos) a ideia é aproveitar as obras para modernizar também a concepção do ensino. Mas as novas ideias vão ter que caber em fatos antigos - não estão a ser construídas escolas de raiz; o que se está a fazer é recuperar edifícios, dos chamados "liceus históricos" do princípio do século XX, passando pelos que foram construídos pelo Estado Novo, nos anos 30, 40 e 50, até ao modelo de pavilhões (de baixa qualidade de construção), que se espalhou por todo o país a seguir ao 25 de Abril, com a democratização do ensino. Será o novo modelo compatível com estes antigos espaços?
O PÚBLICO foi ver o que prevê o programa de modernização, que modelo de escola inspira esta iniciativa, e que transformações estão de facto a acontecer nos edifícios. Visitámos cinco escolas e conversámos com a arquitecta Teresa Heitor, vogal do conselho de administração da Parque Escolar, ouvimos arquitectos e professores.

Biblioteca no centro
O ensino está a mudar, diz Teresa Heitor. "Hoje não se centra apenas no ministrar de conhecimento e competências básicas de professor para aluno. Vai mais longe. Há princípios que a escola tenta divulgar que têm a ver com um melhor acesso à informação, uma capacidade para gerir essa informação".
Num modelo muito inspirado em experiências de países como a Finlândia ou a Holanda, a Parque Escolar propõe uma escola com espaços mais informais (é o conceito da learningstreet, ver texto nestas páginas), locais para pequenas exposições de trabalhos e, acima de tudo, uma biblioteca, que passa a assumir um lugar central, com jornais, revistas, computadores, Internet. No caso dos liceus antigos, mantém-se por vezes a biblioteca original como "memória histórica" e espaço mais formal, e cria-se uma nova.
A biblioteca deve ser um "espaço aberto à comunidade": juntas de freguesia ou outras entidades poderão usá-las para iniciativas abertas ao exterior. Os novos pavilhões gimnodesportivos e salas polivalentes podem ser cedidos ou alugados pela escola, que se abre ao bairro e pode ter fontes de rendimento alternativas. "A ideia é levar a escola para fora dos seus limites físicos, trazendo para dentro as pessoas de fora", explica Teresa Heitor. Em muitos casos pretende-se ainda instalar um Centro de Novas Oportunidades.
Tudo isto - acrescido da necessidade de novas salas de aula, novos laboratórios devidamente equipados, espaços para os professores poderem reunir-se e trabalhar (para além da tradicional sala de professores) e espaços para os alunos (nas escolas antigas a "sala de alunos" era o recreio coberto, salas fechadas só surgem nos anos 60) - representa, para os arquitectos a trabalhar nas escolas um desafio complicado.
O programa é pesado e o que se lhes pede é que encontrem espaço nas escolas para o instalar - processo que se torna ainda mais complicado nos edifícios históricos, onde se tem especial cuidado na recuperação do original. As soluções são, obviamente, todas diferentes, mas passam sempre pela construção de área nova (que pode ficar mais ou menos escondida, conforme a opção). Há em média 30 por cento de construção nova, indica a responsável da Parque Escolar.
Mas, ao criar os tais espaços mais informais e ao "descentrar o ensino da sala de aula", não estará a arquitectura a ir à frente do que é a realidade das escolas hoje? No final da década de 60 foi precisamente isso que aconteceu "com o modelo das escolas abertas, em que se rebentava com os limites da sala de aula para criar grandes espaços", recorda Teresa Heitor. Na altura "as pessoas não foram capazes de se adaptar, mas isso foi há 40 anos e hoje há uma evolução do conceito do ensino centrado no aluno para um ensino centrado no trabalho corporativo". Sinal disso é o facto de os velhos estrados que colocavam o professor num plano superior terem desaparecido ao longo do tempo. Nas novas salas pretende-se flexibilidade, para que o professor possa optar por um modelo de arrumação das mesas tradicional, em U, ou outro.

"Tem que servir a vida"
Será este programa ambicioso de mais sobretudo quando é preciso adaptá-lo a edifícios antigos? "A arquitectura está relacionada com a vida, tem que servir a vida, não é a vida que vai servir a arquitectura", defende Michel Toussaint, vice-presidente da secção regional sul da Ordem dos Arquitectos e professor de arquitectura na Universidade Técnica de Lisboa. "A questão patrimonial tem os seus limites, [senão] o edifício transforma-se num museu, ou então abandona-se e vai-se para outro lado. Se estamos perante um conjunto patrimonial, ele tem que ser conservado, sem dúvida, mas a forma de o conservar é também habitá-lo. A arquitectura não tem sentido se não for habitada. As escolas têm que continuar a ser escolas."
Quanto à concepção dos espaços de ensino, Toussaint lembra que um país como a Holanda, por exemplo, "tem uma tradição de experimentalismo na arquitectura, e isso tem muito a ver com a própria sociedade". Em Portugal "há outras tradições de ensino, outras condições financeiras, de organização social, de eficácia administrativa e até de experiência arquitectónica". Pode não ser fácil transferir experiências de outros países.
A Parque Escolar tem noção disso. Muito depende da forma como os professores reagem em cada escola, diz Teresa Heitor. O programa é discutido entre professores e arquitectos, que tentam adaptar o projecto da Parque Escolar às diferentes necessidades. Num processo em que as obras decorrem sem interrupção das aulas, "para a intervenção correr bem é essencial haver estabilidade na escola, além de liderança e capacidade [das direcções escolares] para mostrar que aquilo é para a melhorar."
Há escolas, reconhece Teresa Heitor, que têm maiores preocupações com a disciplina e não reagem tão bem à ideia de ter os alunos a circular pelos corredores durante os intervalos. Outras adaptam-se facilmente aos novos conceitos. Na D. Dinis, em Chelas, onde o arquitecto Ricardo Bak Gordon construiu um novo edifício que funciona como uma learning street, com vários espaços informais, "no primeiro ano os alunos passavam aí a maior parte do tempo", conta o director José António de Sousa. E passaram a ter muito mais cuidado com o equipamento - se antes era preciso limpar com frequência as paredes, isso deixou de acontecer. Poderá a arquitectura levar a um maior civismo?


07.06.2010 - 10:02 Por Alexandra Prado Coelho

sexta-feira, 4 de junho de 2010

“À Conversa com…João Tordo”.

LOCAL: Sala Couto Viana da Biblioteca Municipal, no próximo dia 25 de Junho, pelas 21H30.

JOÃO TORDO nasceu em Lisboa em 1975 num ambiente artístico. Filho do cantor Fernando Tordo e de Isabel Branco que sempre esteve ligada ao cinema e mais tarde à moda.

Formou-se em Filosofia e estudou Jornalismo e escrita Criativa em Londres e em Nova Iorque. Trabalha como guionista, depois de ter passado pelo jornalismo, tendo publicado, entre outras publicações, n’O Independente, Sábado, Jornal de Letras, ELLE e Egoísta.

Escreveu, em parceria, o guião para a longa-metragem Amália, a Voz do Povo (2008).

Foi vencedor do prémio Jovens Criadores em 2001. Publicou dois romances, O Livro dos Homens sem Luz (2004) e Hotel Memória (2007), ambos bem recebidos pela critica.

O presente romance ganhou o Prémio Literário José Saramago da Fundação Círculo de Leitores em 2009.

SEMANA DO AMBIENTE EM VIANA DO CASTELO 2010


5 de Junho (Sábado) – Dia Mundial do Ambiente

INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO “BIODIVERSIDADE EM ESPAÇOS NATURAIS DE VIANA DO CASTELO”

10H00 no CMIA de Viana do Castelo

Exposição patente até 16 de Outubro de 2010 – entrada livre.

OFICINA DE APRENDIZAGEM “VENHA CONSTRUIR O SEU COMPOSTOR DOMÉSTICO”

10H30 – 13H00 no CMIA de Viana do Castelo

Para o público em geral (custo da participação: 10,00 €; para crianças até aos 14 anos de idade: 5,00 €). CMIA fornece todo o material necessário.

CONVERSAS DE FIM DE TARDE “O REGISTO FOTOGRÁFICO DA BIODIVERSIDADE”

15H30 – 18H00 no CMIA de Viana do Castelo

Com a presença dos fotógrafos: Luis Quinta, Pedro Narra e João Cosme – entrada livre.

Haverá uma saída de campo após a apresentação do trabalho dos convidados - pode trazer a sua máquina fotográfica!

7º RECICLAR(-TE) “Biodiversidade”

Exposição de trabalhos realizados por delegações da APPACDM do distrito e escolas do Concelho de Viana do Castelo com recurso a reutilização e reciclagem de materiais.

7 a 9 de Junho (2ª a 4ª feira)

EVENTO COMEMORATIVO “OS DIAS DA COMPOSTAGEM”

09H30 – 12H00 no CMIA de Viana do Castelo

Actividades diversas para as 48 escolas e os cerca de 4 000 alunos do Concelho de Viana do Castelo envolvidos no projecto pedagógico “Compostagem nas escolas”.

Com a colaboração de EB 2,3 de Monte da Ola, EB 2,3 de Lanheses, SMSBVC, RESULIMA, ACEP e LIPOR.

Participe!

Semana Aberta 2009/2010



De 14 a 18 de Junho, realizar-se-á, no nosso Agrupamento, a SEMANA ABERTA. Durante toda a semana, haverá várias actividades/eventos organizados por professores, alunos, BE/CRE... Assim, convidamos toda a comunidade escolar a participar nesta semana, na certeza que o seu êxito resultará do envolvimento e participação de todos!

Participa!

Colóquio: "Doentes e Cidadãos".

Programa

Manhã



NEUROCIÊNCIAS. “NÃO LHE FAÇAM MAL, É APENAS UM LOUCO…”



9.00 Sessão de abertura

9.30-11.00 A Implantação da República e a Estruturação da Neuropsiquiatria em Portugal


José Morgado Pereira: A Implantação da República e a Estruturação da Psiquiatria em Portugal.

Manuel Lousã Henriques: Os Psiquiatras Miguel Bombarda e Júlio de Matos e a República.

11.00 Intervalo


11.30-13.00 O doente em psiquiatria

Ana Leonor Pereira: Filosofia liberal e ética médica no internamento psiquiátrico no início do século XX
José Pacheco: Egas Moniz, pioneiro da Sexologia Portuguesa

13h-14.30 Almoço livre


Tarde

DE DOENTE A CIDADÃO


14.30-16.30 O doente ontem e hoje, associações de doentes, responsabilidade da sociedade sobre os seus doentes

João Arriscado Nunes: Do paciente ao cidadão.


João Rui Pita: Doenças, Instituições e Terapêuticas à volta de 1910

Fernando Gomes (Representante do Conselho Regional do Centro - Ordem dos Médicos)


16.30 Sessão de Encerramento

Secretário de Estado da Saúde, Manuel Pizarro


Oradores:

Ana Leonor Pereira - Professora Auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
José Morgado Pereira - Médico Chefe de Serviço do Hospital sobral Cid, Coimbra e Assistente Convidado da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
Manuel Lousã Henriques – Médico Psiquiatra em Coimbra.
José Pacheco – Psicólogo e Professor Universitário.
João Arriscado Nunes - Professor Associado com Agregação da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra
João Rui Pita - Professor da Faculdade de Farmácia; Investigador do CEIS20
Universidade de Coimbra
Fernando Gomes – Neurocirurgião. Representante do Conselho Regional do Centro - Ordem dos Médicos)